Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








terça-feira, 6 de março de 2012

NATURAL, ENTÃO.


Um pedaço é um retrato desfragmentado que a vida deixou
Um pedaço é um lapso de tempo que o universo esgotou
Despedaço ainda mais, ao tentar reunir o que sobrou
E o que faço, é apenas aumentar as migalhas desse amor
No contínuo espaço, rompemos o som e sua barreira
Gritamos no infinito, a sempre frase corriqueira
Mas o fim não permite, ser a vida, sempre inteira
E na busca de alcança-lo, gastamos a força derradeira

Natural, então.

sexta-feira, 2 de março de 2012

REVELA NOITE


A noite, assim por dizer, é a entrelinhas do desejo
A noite é a perspicácia de um beijo
É ausentar-se de presente
Vontade expressa em sonhar latente
A noite é destaque em lua
A noite é serenata na rua
É verso triste de amante solitário
Ou alegria de amores inventados
A noite é flor incisa do firmamento
A noite é chama escura de contestamento
É resquícios do abandonado invento
Na obra de um artista sedento
A noite é de estrela correnteza
A noite é astro de certeza
É de uma via a nebulosa
Palavra doce e formosa

É UMA ORDEM


Tá bom, Chega!
..


Mas chega logo
e se despede dessa saudade
que mata de tanta vontade!

MINHAS FRASES


[ Existem certos mundos que nem deveriam existir, um deles é o da ilusão. O da desilusão até que é bom, afinal, deixar de iludir-se é como romper as prisões e cancelas de um manicômio.
Mundo desigual, balança adulterada, onde um coração chora e o outro goza de alegria em cima de desgraça alheia. Entre tantos mundos, nascimentos de novos e morte de velhos, permaneçe, todavia, o da esperança, e esperança em um mundo melhor.]


[ O nosso corpo é a fronteira entre dois universos, um é aquele que vemos com os olhos, e por ele pisamos, o outro é o que vemos com a alma, e está dentro de nós. Por sermos fronteira, somos também passagem, e devemos tomar muito cuidado e dominar, não somente o que entra, mas também o que sai.]


[O sonho é o combustível da vida, quem não sonha, não anseia, não deseja, não se entrega, não estará mais vivo.]


[ Lembre-se que exitirá sempre um reflexo em você, e seus olhos refletem não somente para fora, mas introduz concepções ao seu interior.]


[Em cada um de nós deve sempre existir uma força sobrenatural. Força para enfrentar todos os desafios que a vida propõe, e superar todos os obstáculos que virão.]


[ Meus pés, sacrificados, teimam em pisar o terreno mais arisco que encontra. Esse terreno não é plano, não possui caminho certo, nem bússola para orientar. Neste terreno, que teima em atrair meus pés, google maps é inativo, calendário é inválido e gps é falho. Quanto mais piso, mas desejo caminhar, e tortuosamente encalco pedras e buracos, caio em armadilhas e arapucas. Mesmo com ferimentos, devido às quedas, sinto, ainda que distante, um contentamento em caminhar. Continuo pisando, no entanto mais ainda, e sem nenhum receio, pisam os outros, no terreno do meu coração.]


[Assim voce me desconcerta, me rouba o chão, me tira do eixo, me conduz às alturas, me rouba o ar, me leva as palavras, me prende o olhar, me toma o coração.]


[ E que venham muitos outros risos vastos e intermináveis. Que pelo caminho encontre mais pessoas maravilhosas, e que o conteúdo dos encontros seja infindo. Que venham outros perfumes, e outras paisagens. Que venham outras vezes a mesma alegria, e que o ar percorra os pulmões e refresque a alma. Que venha você que ainda não chegou, e você que por mim já passou, um dia retorne com boas notícias e com vivas memórias.]


[ Adoro acreditar que posso invadir sua mente. E mesmo se tratando de uma mera fantasia, chego a acreditar que é possível ler seus pensamentos. Por isso, cuidado no que pensa, posso ter a imaginação muito fértil.]


[ Feliz aquele que conhece sua essência e que jamais a negocia. Ninguém vende ou troca caráter, no máximo empresta para servir de exemplo.]


[Toda a claridade das minhas intenções escurece a visão do grande pilar, que se sustenta justamente dessas intenções. Cegando-se, olhando para o meu clarear.]



[Os nossos sonhos são frutos de nós mesmos, entrelaçados à nossa visão de mundo interno perfeito.Como se pudéssemos, apenas fechando os olhos, voar sem limites e sem hora para retornar.]


[Não estou em busca de que me afirmem, muito menos que me neguem. Estou em busca de saber quem eu sou, e para tal, uso de afirmações e negações para saber, justamente, o que jamais serei.
Ou seja, o que pensam.]



[O túnel sem luz no seu fim é como a espera de um amor. É um caminho percorrido sem saber onde terminará, sabendo apenas que ainda está escuro.]


[ Os erros, infelizmente inevitáveis, destroem e maculam a tão sonhada perfeição de uma relação. Quem poderá prever até onde, o estado impecável e os bons modos, serão artificializados pelo início da paixão? Justo e digno, para aqueles que assim acreditam, é superar a fase da realidade e do mostrar sincero de cada um.]
 



[ Existem pessoas que são como cristais, lindas e admiráveis. Quem não as tocar com mãos de veludos poderá quebrá-las. Escolha uma opção, ou se contente apenas em olhar, ou passe a beber em copos de geléia, que são tantas vezes desprezados, mas que podem aguentar severas quedas.]

[ A solidão é o vazio mais cheio de convidados idesejáveis. Entre uma pertubação e um agonizador desespero, a dor da saudade ou o anseio de um convívio temporariamente impossível. Quanto tempo dura uma eternidade? Qual o tamanho do infinito? Tudo o que sei é que ainda não vivi a minha eternidade e nem toquei o meu infinito, e a espera só é mais dolorosa porque ainda não consegui dominar o tempo, para adiantá-lo.]
 


[ Se a boca pode ser um tûmulo, a língua pode ser defunto.]

[ A vida é um palpite que se sugere. Ou se aceita, ou se nega.]

[ Cada segundo tem seu valor de eternidade, e cada um carrega também o valor das estrelas. Viva, realmente, sentindo todos os possíveis segundos, e deixando iluminar-se pelo brilho deles. Não os culpe, não os justifique, tenha-os. Percorra os ponteiros com a delicadeza necessária para minunciá-los, no entanto apresse em senti-los como se fossem os últimos, não pela morte, mas pela ausência.]

[ Fundamentalmente, faz-se importante avaliar quais juízos de valor estão sendo dados a quem está com você. Não se pode construir uma relação com bases fracas. Pelo contrário, deve se fortalecer e o que solidifica o amor é a sinceridade, o respeito, a confiança e acima de tudo o desapego ao engrandecimento do ego. Casal é dois corpos em um, se estiverem separados é porque estão com problemas, deve se lutar para reuni-los, caso não haja esse desejo, caberá perguntar se é correto bater em teclas já tão surradas e batidas.]

[ Um boa companhia faz toda diferença.
Afinal a melhor companhia é aquela que ao invés de te ofuscar, te realça.]

[Todo homem precisa de um mínimo de dignidade pra reconhecer-se como tal. Olhar no espelho só vale a pena quando o reflexo te olha no olho.]

[Em alguns instantes o giro termina e tudo volta ao mesmo lugar, à mesma posição. Depois, torna a girar até que volte novamente. E assim seguimos para o desconhecido.]
 

[Um mestre chamado vida me falou que a felicidade é uma eterna faísca que foi implantada em nós. Em alguns apenas aqueçe como sinal de existência, em outros explode e queima, em mim é tão densa e em larga quantidade que acaba por entrar em erupção.]

[Geralmente é assim. Quando tento escrever, esgoto-me de nada fluir. Porém, quando entrego a mão ao pensamento, vejo transfigurar-se alma independente.]
[Dependendo da sede que se tem, saciar-se em gota dágua é tão mais profundo que mergulhar em um oceano.]

[O que escrevo não é um convite, mas sim uma apresentação do mundo que enxergo ou finjo ver, se conseguires então enxergar da mesma forma, isso fatalmente te convidará a mergulhar também.]

[Minhas variantes formas não me tornam uma pessoa de personalidade distorcida, ou portador de bipolariadade. O fato é que nem sempre eu acordo com o mesmo humor e nem sempre como as mesmas coisas no café da manhã. Eu não fui programado, daí as pessoas criam fórmulas e traços de caráter para mim, e por desejarem me montar, formam um esteriótipo irreal.]

[Me disseram uma vez que, as pessoas entram e saem de nossas vidas em um piscar de olhos, por isso mantive os meus fechados para não ter que perder você. E estando fechados, me deslumbro em ouvir tua voz, tocar teus lábios e sentir a tua presença.]

[Melhor ter somente a lua na noite, do que não poder separ-me da escuridão da minha sombra durante o dia.]

[Acabo por acreditar que somos cegos mesmo. Ou então, nos conformos em enxegar pelos flexes de luz que transpassam à nossa venda. E que o apego ao "não ver" está cada dia mas cômodo aos relaxados. Falta ousadia pra entregar os olhos a luz.]

[No final... a gente de fato aprende a não idealizar pessoas. Cada um é o que é, e portanto cabe a nós escolher os pensamentos afins. Decepção só ocorre quando ostentamos ao outro o lugar de perfeição que não lhe cabe.]

[A cultura e o conhecimento são irresistíveis quando o indivíduo absorve o pluralismo necessário para compreender que a diversidade é indispensável.]

[Isola-te pois no âmago do teu ser, e encontra-te em tua própria natureza. Descobre assim, com verdade e clareza, a fé que te crer.]

[Plenitude, para mim, não é nada mais do que viver plenamente e com suficiente atitude.]

[Sorria e veja suas rugas.. quando elas surgirem em definitivo isso significará que em seu rosto deverá, também, existir sempre um vasto sorriso.]
 


 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SER FELIZ PELA FELICIDADE

Venha hoje ser feliz
Vamos ser feliz agora
Felicidade como sempre quis
Sem se preocupar com a hora

Vamos ser feliz por ser assim
Felicidade sem data marcada
Dia feliz pra você e pra mim
Feliz risada extrapolada

Cuide de ser feliz também
Que ela cuidará de você
Sorria sem ver a quem
E a felicidade vai te ver

Faça o dia de alguém ser alegre
Alegre em todos os dias
Para ser feliz, não espere
E se puder, sorria! Sorriso não fere

A felicidade é de amigos o entorno
De segundo feliz a eternidade
A alegria é sempre o retorno
De ser feliz na simplicidade

Sem se preocupar com a hora
Felicidade como sempre quis
Vamos ser feliz agora
Venha hoje ser feliz

Feliz risada extrapolada
Dia feliz pra você e pra mim
Felicidade sem data marcada
Vamos ser feliz por ser assim

E a felicidade vai te ver
Sorria sem ver a quem
Que ela cuidará de você
Cuide de ser feliz também

E se puder, sorria! Sorriso não fere
Para ser feliz, não espere
Alegre em todos os dias
Faça o dia de alguém ser alegre

De ser feliz na simplicidade
A alegria é sempre o retorno
De segundo feliz a eternidade
A felicidade é de amigos o entorno

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NÃO


Não adianta cobrar aquilo que não se sabe
Muito menos pisar onde não se tocam os calcanhares
Falar por falar, alimentar o desespero
Nem correr com muita pressa para alívio do desejo
Não adianta devolver ao dono o coração pisado
Querendo consertar o mal feito executado
Dar-se o perdão por auto clamor de piedade
Nem querer ser o dono da verdade
Não somos centros de atenção de uma existência
Para querermos ser perfeitos em excelência
Vivendo tão somente o sumo de nossa essência
Nem deixar de exercitar o dom da paciência
Não adianta culpar os traumas da infância
Como autores de toda a sua ânsia
Dizer toda hora que isso tudo cansa
Nem dar crédito a intolerância
O não pelo não, não é aceitável
O sim pelo sim pode ser o responsável
Mas o não é o inverso do desejável
E o sim, é aceitação do provável.






ESPERA


Finjo para mim fortalezas inexistentes
E acabo acreditando no que minto
De tanto dito e insistente
Adormeço a dor do que sinto
Cego para inexatos clarões
Entre velas e poesias declamadas
Repetindo sempre as mesmas canções
Consolo à alma desamada
Cálices servidos, mesa intocada
Suspiros de muita ansiedade
Aguardo a notícia de sua chegada
No entanto chega apenas a saudade
A decepção bate sempre em minha porta
E o que desejo parece distante
O destino me contraria em sua rota
E me enfrenta a todo instante
Voltando ao cálice, um eu bebi, o outro derramei
As velas, o vento apagou
Do sonho finalmente acordei
E vivi o resto que sobrou

domingo, 15 de janeiro de 2012

AS GAIVOTAS E EU


Eu pensava que conhecia o trajeto das gaivotas,
e ao julgar sua assimetria lhes nomeei tortas.
Confundi-me tanto, que minha visão se perdeu,
era voo tão livre que no céu amanheceu.
Que tolice a minha julgar tal natureza morta!
Foi quando ouvi aquela voz, que de sabedoria exorta:
Pequeno homem te comporta! Tal como tu, elas têm sua própria rota.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GOLES DE VOCÊ


A amplitude de um pensamento voraz derrete os meus desejos mortos
Invade sem qualquer licença os olhos redis e tortos
Vontade ardente e descontrolada de tocar-te agora
De romper à física e congelar nossas horas
Desequilibrei-me na lonjura desse infinito instante
Roubarei do destino todo o tempo restante
Vou te atrair de propósito em minha armadilha amorosa
Pois você é minha vítima e sei onde você mora
...


Desistido da perspicácia da falha
Encarei o que sobrou como algo que o valha
Tomei mais dois copos amargos de arrependimento
Suficiente para distorcer todo e qualquer desalento
Em poucos instantes surgiram risadas altas e provocantes
Acordaram os invejosos suspiros amantes
Depois disso invadiu-nos o sono
E permanecemos, ainda com muito esforço, tudo o quanto somos.


sábado, 19 de novembro de 2011

EFEITO COLATERAL



Tudo começa através de um magnífico impulso neurológico.
Deverá haver caminho livre de trânsito rápido para a troca de informações.
Para cada freio de espanto intrínseco, ocorre o abandono de ousadia decorrente de manifestos de outrora calados. Esses manifestos reagem a um estímulo próprio. Esses estímulos traduzem as absorções de falas, olhares, toques, intenções. Um estímulo pula de um corpo a outro em fração de segundo como energia que magnetiza atrações de forças opostas. As forças caminham em direções que não se complementam. Buscam equilíbrio, medem impulsos.
Cada corpo, abstraído do sentido mais plausível, encontra seu lugar de conforto.
As teias magnéticas que geram essa atração buscam nos corpos alojamento de extintos sucessivos.
Há calor nessas relações. Há queimas intermináveis de partículas em movimento contínuo. Partículas unidas geram sistemas dispostos organizadamente, e formam grupos. Os grupos sequenciam-se de modo ereto e ostentoso em uma estrutura de significados.
Movimentam-se bilateralmente em ângulos multifacetados.
Explodem, seletivamente, milhões de possibilidades de reações.
Tudo pronto. Aguarda-se, então, o comando da fonte progenitora maior.
Deverá ocorrer despressurização e abertura das comportas.
Demora!
A autorização não vem. Algum circuito deve ter atrasado – pensam.
Espantam-se!
O mentor envia ordem de recuo, de retorno, de desarmamento.
A estrutura desmontou, o projeto faliu, as relações se desligaram.
...

O que houve?
...

Outro tanto de silêncio
Veio, então, a resposta:
A boca calou e a palavra foi engolida
Resta agora a explosão interna. Consequência de não haver dito o que se pensou.

domingo, 13 de novembro de 2011

NA PRÓXIMA VEZ


Rancorosas palavras um dia irei te falar
As que juntei com gosto para em ti soltar
Aquilo que ficou preso e impossível de explodir
Explodirá por dentro até que solte então
Com deboche, ironia e rancor ruim, mas
NA PRÓXIMA VEZ VÁ ENGANAR O CÃO

Trocávamos acusações e você era sempre réu
Para mim todo inferno, pra você todo o céu
Minha alma se isolava, se espremia, tinha sede
Eu sempre culpado de tudo, pagava o pato
Encurralando-me contra toda a parede, mas
NA PRÓXIMA VEZ EU CUSPO NO SEU PRATO

Passava a noite fora e não dizia onde estava
Desligava o celular, e nem uma satisfação dava
Abandonou-me perdido em uma ilha
No fim diz que se arrepende e faz tudo acontecer
Fala que está tudo a mil maravilhas, mas
NA PRÓXIMA VEZ EU TRAIO VOCÊ

Você se comportava como a força da relação
A parte evoluída, o mentor do coração
Subestimava-me como alguém sempre incapaz
Duvidava da minha ousadia, e me fazia um grande furo
Porque você se achava demais, mas
NA PRÓXIMA VEZ EU PICHO SEU MURO

Criou um teor de dependência que gritava na minha parte
Pintou com desdenho o “eu” obra de arte
Embora possua esperteza, não acredito ser tão ágil
Para se iludir facilmente com minha sensatez
Porque eu sei o tanto que você me acha frágil, mas
NA PRÓXIMA VEZ NÃO HAVERÁ PRÓXIMA VEZ

ESTAÇÃO BRASIL


Senhora gigante da própria natureza
És o infinito do paraíso apresentado em nossas calçadas
Entre sorrisos, amantes de vida e beleza
Salve e salvem a terra adorada
Mulatos, morenos, alvos. Todos juntos encontrados
Para viver a esperança de nação
Na raça de trabalhadores esforçados
Em suas ferramentas de oração
Olhai a mata verde impecável
E as doces águas purificadas
A fonte de riqueza inesgotável
A busca da almejada liberdade
Em riachos de águas límpidas de sonhos
Da fuga concreta da raça misturada
Inchada na mão, preparando a terra
Coragem desnuda de cicatrizes travadas
Em tentativa de acerto, foges e erra
Sai do seu cantinho em busca de vitórias desejadas
Corremos nossos campos e penetramos o orvalho
Colhemos os frutos das ancestrais plantas brotadas
Importantes raízes que sustentam os nossos galhos
Faz-nos viver o que somos, e a árvore jamais será cortada
Invadidos de interesses e tomados pela ganância
Sustentamos fragilmente a nossa ingenuidade
Sofridos desde a época de infância
Mas mantemo-nos com toda a identidade
Sutilmente repararam que expandimos até aqui
Suscitou comentários que devera assistir
Até onde o vento vai, e de onde pode vir
Que tamanha capacidade do nosso povo ainda sorrir
Natural da américa indianizada
Esses homens surgiram então
Obrigados a ajoelhar-se para a santa rezada
Joelhos dobrados, mão atadas, excelsa oração
Nossa bandeira, o estandarte do multicor e colorir
Representa muito bem a vasta diversidade
Aberta à expressão, ao direito de ir e vir
Desperta em nosso povo sensação de liberdade
A viagem é repartida, para amantes de coração
Paremos então nessa nossa estação primeiro
E desfrutamos essa pura sensação
Virtude única de ser humano, brasileiro

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

E O PIOR QUE EU JA SABIA


De repente me deparei com você e suas manias absurdas
Sua vontade de domínio forçado de relação às escuras
Tua vontade de falar-me alto e mostrar superioridade
Com sua brincadeira sentimental invasiva
Tua essência respirava desrespeito ao amor de verdade
Tuas palavras eram deformadas e corrosivas
Você jurou tantas promessas que até podia acreditar
Mas durava a minúscula eternidade de um olho a piscar
Você manipulou com artimanha a inocência de um coração
Deixou criar sonhos medíocres de nunca realidade
Ingeriu o prazer completo de noites de clarão
Cuspiu com vontade, ingratidão, ódio e insensibilidade
Em que instantes foram feitos os teus traços frios?
O que te motiva a não desejar, pelo menos do medo, apenas o arrepio?
Não pode ser possível gostar tanto da solidão
Ao ponto de tornar ao outro objeto de estante
Artefato antigo de mera decoração
Ventríloquo manipulado de tuas adesões restantes
Questionei-me, massacrei-me. Quis deixar-te. Era o racional
Voltava ao começo, no mesmo sofrimento, ao ponto inicial
As correntes invisíveis do meu próprio porão
Entrelaçava-me e não me deixavam passear
Suspendiam-me daquele teu chamado chão
Ironicamente fazia-me de tetos em tetos flutuar
O que ilusoriamente eu ainda esperava acontecer?
Mudanças suas que modificassem essa nossa forma de viver
Isso não acontece assim, movido apenas pela minha singular vontade
Estar sozinho em meus planos era algo comum, ainda assim desejava
Queria ouvir a tua campainha tocar e abrir a porta para felicidade
E descobrir que no fundo de tudo, você simplesmente me amava
Sentados ao canto, começamos a esperada conversa
Você quis resumir o assunto, eu detestava aquela pressa
Poupou em três palavras, abusou em consequência
Olhou-me pela ultima vez e me afastou para o lado
Deixou pra trás um amor, abandonando em consciência
E disse apenas: ESTÁ TUDO ACABADO.

GRITO


Aventurar-me em minhas múltiplas loucuras já tão conhecidas
Sem ter hora para retornar de mim, sem compromisso, sem amarras
Ontem saltei de um prédio em chamas ardentes de labaredas fortes
Era sonho de terremoto, de desejo sórdido, remoto, sem rótulo
Naquele instante quis permanecer longe da realidade
E não ter de encarar certas complicações, aplicações, implicações
No meu mundo eu me mando, eu me mudo, eu não sou mudo
Existem vontades respeitadas ao que falo, não me permito ego machucado
Não aceito nenhuma tipo de tortura, armadura, compostura, que dirá ditadura
Mas aconselho ao quieto, ao frenético, ao esbelto, ao diabético
Seja livre de toda liberdade espontânea
Não se importe com tapas e palavrões em público
Viva, reviva, conviva, invista à vista
O Olhar é perspicaz, indiscreto. Deixe que olhem mesmo
Seja foco, modelo, enquadre de terceiros
Já despetalou as rosas do jardim vizinho?
Despetale-as!
Já tomou para si a serenata dedicada a outra pessoa?
Tome-a!
Já quis por um segundo não ser você mesmo?
Usurpe!
Já leu versos que acredita serem seus mesmo não os tendo escrito?
Plagie-os! Até mesmo esses.
Já ofendeu alguém em pensamento?
Ofenda-os! Mas só no pensamento
Já os elogiou em voz alta?
Continue elogiando-os! Afinal precisamos dizer aos outros o quanto são bons.
Descubra seu próprio itinerário, após descobrir me faz um favor? Esqueça
Lembre-se sempre de você. Acredite em você. Ame você. Viva você.
Lembre-se sempre do outro. Acredite no outro. Ame o outro. Viva o outro.
Não sejamos egocêntricos. Aliás, sejamos sim! Apenas o suficiente para conhecer a dádiva do amor próprio
Após tudo isso acordar faz parte, tornar a realidade da verdade
Pois aventura é muito mais interessante quando a gente vive longe dela
Quando a gente vez ou outra a encontra
Então começa novos planos na espera do que está a pronta
E quando sentir-se sozinho, triste, cansado, faminto, excitado, tenso, abandonado, calado, feio, assustado, inquieto, raivoso, rancoroso, arrependido, feliz, realizado, louco
Grite o mais alto que puder até ficar rouco.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DESABAFOS EM REUNIÃO


Aquele que nos enviou nos dotou da capacidade de amar
E como instrumento deste dom deu-nos os familiares
Amizades, almas similares, vontade de sonhar

Feliz o homem que reconhece a grandeza de ser pequeno
E em seus atos mais nobres, atitudes que elevam o espírito e fortalece o peito erguido

Passamos a maior parte de nosso tão acelerado tempo nos preocupando em milhares de desatentos
Amores vis, dores passageiras, atitudes certeiras

Não foi o inverno que trouxe o verão
Nem foi cessada a virtude de perceber a inspiração

São os pilares da construção servil em um céu azul anil,
A massa, o povão e o civil

Dinheiro tantas vezes em primeiro, foges do bolso que parece furado
Dívidas, contas e contratos em prestações como cavalo-alado
E o duro salário o sonho vai suprimindo
O pai vê o garoto sorrindo, lhe pedindo um novo brinquedo
Mas sentes a dor estampada no peito
- Quem sabe próximo mês! - grita a crença do pobre camponês

É tanta buzina de carro, é tanto paletó de empresário
Semáforos e reuniões. E agora onde estão as emoções?
Estampados na figurinha de icekiss? Ou no serenata que a namorada quis?
Não é justo patrão, não existe compra e venda do pobre coração.

Gentilezas de piedade já não importam não
A fé é a gasolina do carro cristão
A gente nessa tribuna, muitas vezes em posição de réu, detendo a esperança, chave do céu
E quem nos cuida, a fuga o guardião, protetor incansável

Segredos fúteis eu não quero guardar, tesouro da vida eu aprendo a buscar
Já não importa se é noite ou dia
Caminhe sempre com alegria
Mesmo que pela cidade dos solitários, em seus atos primários

A verdade é que permanecemos encaixados nessa teia de confusão
Movidos pelo Instinto de sobrevivência, a sonhada evolução

Conclusão da Reunião

TREM SEM DESTINO


Ainda tenho guardado em mim sonhos ambiciosos e virtudes decifráveis
Por muito tempo quis encontrar o momento certo de mostrar o meu melhor
Talvez esse momento ainda não tenha chegado
Descobri que o tempo é um trem sem destino, com diversas estações
Ou a gente permanece nele e segue sem saber aonde vai
Ou aventura-se em saltar em movimento
Eu optei por esperar a próxima estação
E saltar em alguma esperança de solo firme
Não sou tão invencível que permanecesse sem destino
Nem tão forte para saltar no caminho sem nada
Sou apenas um homem de fé, e fé no que virar

O RETRATO


Hoje eu regressei em minhas muitas recordações
Abri uma antiga caixa onde guardo tudo que considero importante
Toquei objetos, li vários bilhetes, ouvi várias canções
Voltei ao passado por um piscar de instante
Quase uma hora passada e eu não parava de olhar
Tudo se tornara único, cada carta, cada recado
Muitas pessoas e momentos para relembrar
Mas o que mais me inquietou foi um certo retrato
E olhando o tal retrato, fui levado aquele dia
Sem que fosse de minha vontade, fui jogado pela memória
Revi aquele momento como farsa da realidade fria
Busca giratória da minha identidade, esquema paralelo da história
Aquela fotografia foi intrusa e não autorizada
Apenas euforia de amante propriamente dito
E sem que o outro percebesse, registrei a tal amada
Coragem de ousar e enfrentar sem ser coibido
Quando a luz da câmera a tocou ela se fez despercebida
De fato ela nutria esse recíproco desejo
Olhou profundamente pra lente destemida
E voltou ao seu senhor, em lugar de cortejo
Percebi sua lágrima ao canto do olho cair
Não era uma dama plenamente feliz
Era de um atrair fogoso em seu ímpeto despir
Que superava o talento de qualquer meretriz
Poderíamos ter vivido um tradicional envolvimento
Onde existisse separação, e nova casa para morar
Preferimos, no entanto, mantê-la em seu casamento
A aventura do proibir era o segredo do flertar
Horas juntos nas madrugadas escondidas
Deixávamos surgir risos intermináveis
Era fuga que precisávamos, sem medidas
Com carícias longas e incomparáveis
O tempo passou. Já não nos víamos com frequência
Ela renegou e quis por um ponto final
Era medo de seu senhor que descobriu a efervescência
E a intimidou com ameaça mortal
Eu fui embora. A dama também.
O romance foi real e de fato
E de todos os prazeres que ficamos sem
Restou apenas o retrato

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O TECIDO LUXO


Farpas de soberba incomodam
E de qualquer valor é atribuída
Mas onde está a velha roupa?
Deixada de lado, foi esquecida
O engano se transpôs
Na verdade que se complica
Com caráter que se distorce
E o desejo se suicida
As pérolas invadiram o salão primeiro
A dama da noite corrompeu os olhares
De toda graça, de jeito faceiro
Estremeceu a torre e seus pilares
Cobriu-se de inquieto poder
Na natureza do ter infinito
Parecendo um tanto comum
Em um mundo oprimido
Oprimido da própria necessidade
De fazer-se exclusivo
Confundido felicidade
Com acúmulo excessivo

 

domingo, 9 de outubro de 2011

VÁRIAS PRIMAVERAS


Ela foi chegando e eu nem percebi
Achei que estava distante e não a vi
Ela se aproximou, me alertou, me tocou
Tentou me avisar mas de nada adiantou
Ela estava lá, porém não parecia estar
Eu voei nas asas do meu pensamento, na coragem da minha juventude
Na beleza da minha palidez, da minha força
Não percebi seu reflexo que podia ser visto atrás de mim
Eu caminhava em direção aos tais objetivos e aos meus sonhos
Por mérito muitas vezes me achei distante e me fiz inocente
No entanto ela chegou devagarinho, corria! Mas corria devagar em passos sutis
Aproximou-se, apresentou-se
Eu não a quis aceitar. Foi inevitável
Ela me tocou e me fez vesti-la
E hoje ela está em mim
O seu nome é velhice, foi ela mesma, que por teimosia me disse.

 

DISCURSO INTERIOR


Se eu pudesse falar para milhares de surdos
Falaria com palavras que fossem tão consoladoras como as que se escuta na infância
Mas diante deles talvez fosse mudo
Nessa minha falta inconsciente, inesperada, chegada
Que me deixa tantas vezes em calados argumentos
Deveria dizê-los da vida que temos vivido, experimentado
E que desta não abriríamos mão nem por todo dinheiro do mundo
Mesmo diante de  trajetória de quedas, de empecilhos, de muros
Diria a eles o quanto impotente sou, fragilizado, desarmado, amado e não encontrado
Perdido em mim mesmo, nas minhas próprias vontades
Na minha vaidade, no meu modo de ver as pessoas
Na forma em que pego o trem, se é que o pego
De quando vou ao supermercado, de afagar o filho amado, de leva-lo para escola
Se esses surdos me ouvissem, ouviriam meu desespero
Observar-me-iam e manter-se-iam paralisados
E eu querendo falar o quanto preocupado estou, ou quanto estava ontem
Suas surdezes não os impediria de tal fato perceber, são sábios, grandiosos, escutam com a alma e com intuição, e ao final do tal discurso levaria para sempre uma lição:

A nós vozeados no vício de usar de palavras impróprias deixamos de escutar com o coração.

O SEGUNDO


Aposto que você não saberia dizer quanto tempo dura o segundo
Não falo do tempo cronológico, nem do ponteiro do relógio, nem daquilo que se conta
Falo do segundo palpitante, do ciclo de emoção
O segundo que faltou para encontrar a pessoa amada
O segundo que foi perdido ou ganho da sorte
O segundo que acabou, que livrou da morte
O segundo que se fez importante, viajante itinerante
Para este há mérito, há valor, há qualidade
É segundo de tempestade, de infidelidade
Para este segundo quem contará as histórias perdidas, rastejadas ou vividas?
Não encontrei quem o conte, quem o junte, o remonte
Não existe parentesco ao seu derradeiro. Pois este segundo, somente neste segundo, fez mais importante do que o primeiro.

POESIA NO ESCURO



Nesse momento que me encontro sozinho, que percebo quão pequeno e grande é meu universo,
universo de anseios, universo de vontade, de desejo.
Penso que o horizonte pode ser maior que almejo, e enfureço em busca de liberdade, de vontade de ser o que sou, de poder falar o que quero, de exaltar, de explodir as minhas sensações, os meus momentos, meus pontos mais fracos.
É escuro, e o escuro inunda, o escuro é agudo, o escuro transforma, modifica, ilude. Cria imagens que não existem.
E o silêncio?
O silencio invade, e invade de tal forma que ironicamente grita. Grita no fundo da alma.
Agora não se pode ver, não se sabe o que vem nem o que rodeia, o que se chega, o que se esconde, o que se afasta, o que pode vir, o que já veio e nem deu pra perceber.
São assim nas madrugadas inquietas, descobertas, desilusões.
E a poesia?
A poesia está na espera de um amanhecer sorrindo, de sol brilhante, de verdes pastos verdejantes, de flores abertas de perfumes exalantes, de mulher amada, de paixão correspondida, de trabalho valorizado, de vida. Vida feliz, vida de força soberana.
Mas ainda é noite, está escuro e as estrelas ainda apontam no firmamento, e na solidão cala-se o poeta, ou fala o poeta pois tudo é sempre uma faca de dois gumes, é sempre dois caminhos, e sempre há mais uma escuridão para se encontrar, para se enxergar e olhar para dentro, pra se conhecer, se descobrir, para se fazer verdadeiramente humano.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

F[A]TO




O Fato pagou o pato pelo ato
O ato reclamou de tal fato
O fato disse ser incorreto este ato

Discutiram, divergiram, discordaram
Reclamaram, refizeram, reataram
Propuseram, perguntaram, publicaram

Passou-se, portanto, meio sol de entendimento
Diante do ato o fato de estranhamento
No discurso dessa culpa, houve até o desalento

Sol inteiro se prostrou, o ato interrogou:
É de fato o culpado? Responda-me, por favor
Se há culpa eu não sei. Com licença meu senhor

E o fato sem demora pôs-se logo a sair
Esperto como ele devera saber o que há de vir
O ato reclamou, o fato quis sorrir

E o pato que foi pago ao ato pelo fato?
Esse teve sorte
Soube ele ser sensato.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

INDIFERENÇA





O mundo está em silêncio
Calo-me para tentar percebê-lo
O grito sonoro se esconde
Invade-me um deserto por inteiro

Entre minúsculas frechas tento entendê-lo
Olhar e me encontrar no seu esconderijo
Sussurros trêmulos ao pé do ouvido
Escutando a própria voz de tudo o que digo

Escureceu e ainda assim permaneces intacto
Como perseguisse algo que foges de ser-lo
Invejado por desejo e impacto
Descobriu no declínio a intensidade de seu peso

A luz da razão nos quer iluminar
Em vão nosso olhar tenta encadear
Não se trata do óbvio que a tolo norteia
Mas é sentimento que vislumbra, que valseia.

 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

INTROSPECTO

Minha inquietação não me torna frágil
Minhas descobertas não me fazem dono
Meu sentimento pode ser palpável
Minha realidade é um paralelo ao sonho

Vivo de fatos idealizados
Não que eu os faça assim
As idéias são pensamentos encontrados
E eu as procuro em mim

Posso está em busca do que jamais encontrarei
Esperando pessoas que talvez não conheça
Mas gosto desta saga e do que procurei
Acreditando que um dia tudo aconteça

Não tenho a séria pretensão de ser compreendido
Nem que seja escutada a minha voz gritante
Tenho ego profundo e o mantenho submetido
Deixando a modesta às claras e distante

Já me disseram uma vez para não correr certos riscos
Que muitas das minhas atitudes eram loucura
Mas ousar é algo de que muito preciso
Romper meus próprios limites me é apresentável como cura

Esses vícios pessoais concretizam um caráter expressivo
Em regresso ao período enigmático do medo
Identificando no espelho em meus reflexos expansivos
Saindo-me destas teias do insistente pesadelo

É incessante esse contato de prodígio intelectual
Como fuga feroz de uma louca nostalgia
Em convívio com o mundo e sua presença astral
Recebo de bom grado a herança, a sabedoria.