Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








domingo, 9 de outubro de 2011

DISCURSO INTERIOR


Se eu pudesse falar para milhares de surdos
Falaria com palavras que fossem tão consoladoras como as que se escuta na infância
Mas diante deles talvez fosse mudo
Nessa minha falta inconsciente, inesperada, chegada
Que me deixa tantas vezes em calados argumentos
Deveria dizê-los da vida que temos vivido, experimentado
E que desta não abriríamos mão nem por todo dinheiro do mundo
Mesmo diante de  trajetória de quedas, de empecilhos, de muros
Diria a eles o quanto impotente sou, fragilizado, desarmado, amado e não encontrado
Perdido em mim mesmo, nas minhas próprias vontades
Na minha vaidade, no meu modo de ver as pessoas
Na forma em que pego o trem, se é que o pego
De quando vou ao supermercado, de afagar o filho amado, de leva-lo para escola
Se esses surdos me ouvissem, ouviriam meu desespero
Observar-me-iam e manter-se-iam paralisados
E eu querendo falar o quanto preocupado estou, ou quanto estava ontem
Suas surdezes não os impediria de tal fato perceber, são sábios, grandiosos, escutam com a alma e com intuição, e ao final do tal discurso levaria para sempre uma lição:

A nós vozeados no vício de usar de palavras impróprias deixamos de escutar com o coração.

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