Nesse momento que me encontro sozinho, que percebo quão pequeno e grande é meu universo,
universo de anseios, universo de vontade, de desejo.Penso que o horizonte pode ser maior que almejo, e enfureço em busca de liberdade, de vontade de ser o que sou, de poder falar o que quero, de exaltar, de explodir as minhas sensações, os meus momentos, meus pontos mais fracos.
É escuro, e o escuro inunda, o escuro é agudo, o escuro transforma, modifica, ilude. Cria imagens que não existem.
E o silêncio?
O silencio invade, e invade de tal forma que ironicamente grita. Grita no fundo da alma.
Agora não se pode ver, não se sabe o que vem nem o que rodeia, o que se chega, o que se esconde, o que se afasta, o que pode vir, o que já veio e nem deu pra perceber.
São assim nas madrugadas inquietas, descobertas, desilusões.
E a poesia?
A poesia está na espera de um amanhecer sorrindo, de sol brilhante, de verdes pastos verdejantes, de flores abertas de perfumes exalantes, de mulher amada, de paixão correspondida, de trabalho valorizado, de vida. Vida feliz, vida de força soberana.
Mas ainda é noite, está escuro e as estrelas ainda apontam no firmamento, e na solidão cala-se o poeta, ou fala o poeta pois tudo é sempre uma faca de dois gumes, é sempre dois caminhos, e sempre há mais uma escuridão para se encontrar, para se enxergar e olhar para dentro, pra se conhecer, se descobrir, para se fazer verdadeiramente humano.


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