Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








sábado, 19 de novembro de 2011

EFEITO COLATERAL



Tudo começa através de um magnífico impulso neurológico.
Deverá haver caminho livre de trânsito rápido para a troca de informações.
Para cada freio de espanto intrínseco, ocorre o abandono de ousadia decorrente de manifestos de outrora calados. Esses manifestos reagem a um estímulo próprio. Esses estímulos traduzem as absorções de falas, olhares, toques, intenções. Um estímulo pula de um corpo a outro em fração de segundo como energia que magnetiza atrações de forças opostas. As forças caminham em direções que não se complementam. Buscam equilíbrio, medem impulsos.
Cada corpo, abstraído do sentido mais plausível, encontra seu lugar de conforto.
As teias magnéticas que geram essa atração buscam nos corpos alojamento de extintos sucessivos.
Há calor nessas relações. Há queimas intermináveis de partículas em movimento contínuo. Partículas unidas geram sistemas dispostos organizadamente, e formam grupos. Os grupos sequenciam-se de modo ereto e ostentoso em uma estrutura de significados.
Movimentam-se bilateralmente em ângulos multifacetados.
Explodem, seletivamente, milhões de possibilidades de reações.
Tudo pronto. Aguarda-se, então, o comando da fonte progenitora maior.
Deverá ocorrer despressurização e abertura das comportas.
Demora!
A autorização não vem. Algum circuito deve ter atrasado – pensam.
Espantam-se!
O mentor envia ordem de recuo, de retorno, de desarmamento.
A estrutura desmontou, o projeto faliu, as relações se desligaram.
...

O que houve?
...

Outro tanto de silêncio
Veio, então, a resposta:
A boca calou e a palavra foi engolida
Resta agora a explosão interna. Consequência de não haver dito o que se pensou.

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