Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








segunda-feira, 14 de maio de 2012

PARANÓIA


Não quero mais ver você, para que não veja minha dependência
Para que não perceba meu deslize e sinta minha carência
Ser vulnerável também cansa sabia?
Não quero que veja minhas lágrimas, para que digas: sorria!
Por telefone é tão mais fácil, tão mais mágico
Pessoalmente, desconcerta, distrái. É quase trágico
Por isso não vou mais te encontrar. Fica combinado tá?
Não, não to fazendo drama - Sabia que você ia me dizer isso
Faz o seguinte: tenta ler um livro de poesia amor.
Já sei: Rimbaud!
Depois prepara um bom prato e bebe um bom vinho
Sai de casa um pouco, e foge desse ninho
Apenas sugestões pra você me esquecer
Mas voce quer mesmo é vir aqui, aparecer
Então vem amor, tô te esperando
Mas não fala nada, finge apenas que tá passando
E como quem não quer nada, vem me visitar
E se a porta estiver aberta, é porque pode entrar.

RECEBES


Dez flores em um ramalhete
Doce perfume e um bilhete
Cara assustada, silêncio forçado
Palavras declaradas de um homem apaixonado
As flores são jargões perfumados
Passeiam entre campos entornados
Doce é o cheiro que passa a ser teu
Mais doce é olhar que repousa sobre o meu
Em sorriso entreaberto, a gratidão
Meio que sem jeito ficas então
Naquele dado momento de paralisia
Eterno por um segundo se fazia
Dou meia volta e logo saio
Levando comigo aquele dia de maio
E deixando contigo a lembrança de mim
Para estando distante, estar junto a ti.

terça-feira, 1 de maio de 2012

NOBRE SENTIMENTO


Com a ternura do olhar
fixado sobre o velar de seu sono
Liberta de púrpuras o seu sonhar
e entrega o paraíso todo pronto
Agarrada ao cheiro nao sentido
e ao tênue grito nao escutado
Reconstrói um coração partido
E percebe o sentimento acalantado
Estando distante, deseja estar junto
sendo desconhecida, almeja ser reconhecida
Mesmo que para isso percorra o mundo
ou  atravesse toda a vida
Em noites de grande chuva, preocupada fica
Onde estaras? Se pergunta então
Se cai um raio, um tudo imagina
e o abraças com as mãos do coração
Ainda aguarda o reencontro tão esperado
com fé em Deus e nas rotas do destino
Para receber seu filho tão amado
e enfim, olhar nos olhos do seu lindo menino.


segunda-feira, 19 de março de 2012

PROFANNUS


Sou tão profundo que não me permito chegar à superfície
Tenho labirintos com os quais jamais vou me perder
Conheço meus métodos, minhas receita e minha crendice
Não sei o que quero, mas sei bem o que posso fazer
Inevitavelmente sou composto de certa natureza
Trago traços não escolhidos sobre mim
Dificilmente tenho plena convicção de uma certeza
Mas, sinceramente, adoro ser assim
Adoro me reconhecer no meio de um milhão
E saber que tenho um cheiro que será sempre meu
Que minha vida faz parte da minha composição
E que irradio luz própria, no meio do breu
Não me comparo a ninguém, pois isso é tolice
Não reflito no espelho a imagem de outra pessoa
Eu sou o que sou, e não o que você me disse
Choro quando quero, berro, dou risadas à toa
Lembro-me de pessoas em minhas noites em claro
Recordo momentos que congelei no tempo
Desejo retornar aquele dia tão raro
Mas voltar no tempo ainda não é um invento
Sou estranho, exótico, apressado e mandão
Quando estou só me sinto rodeado
No entanto, o mais comum é estar sozinho na multidão
Tentando, fracassadamente, ser notado
Aprendi aos outros julgar, pelo fato de ser também
Ou talvez eu o seja, por primeiro o fazer
A verdade, é que verdade ninguém tem
Enquanto acreditamos donos dela ser
Falo para mim mesmo como devo proceder
E me traço estratégias para sempre acertar
Eu adoro ganhar, mas o mais comum é perder
Só não deixarei jamais de ter o prazer de jogar
Jogar pedras na lua, olhar uma estrela
Cantar uma música minha que inunda
Olhando para o céu desejando tê-la
Sem esquecer que minha alma, como já disse, é profunda
Cavada pá a pá, todos os dias
Em direção ao eu desconhecido
O eu que sou eu, que busca alegrias
Alegrias de ela, um dia, já ter tido.

terça-feira, 13 de março de 2012

HOMEM DESABAFANDO


Ah Mulher!
Se você soubesse o que meu coração demandas para ti
Não te irritarias por tão pouco assim
Faria dos nossos dias memoráveis
Ao invés de dores lamentáveis
Respiraríamos devagarzinho para a ninguém acordar
E olharíamos para o céu, te daria o luar
Mas quantas vezes fazes as mesmas perguntas?
E de repetição, a relação inundas?
Cavalgamos para o já conhecido fim
E te distancias, no lugar de estar junto a mim
Se você soubesse que dizer sempre "eu te amo" não é amar
Não falarias a mim, que só sei te enganar
Eu sei que você é linda, e mesmo que não fosse
Te desejaria, todavia, pois você é doce
É mulher de verdade, é honrada e gentil
Mas as vezes exageras, e enxerga em um, mil
Mulher, meu trabalho dá trabalho
Tenho que escolher uma carta do baralho
E todas outras vem logo me cobrar
E medindo forças tento o equilíbrio controlar
Não és mercadoria, disso eu sei muito bem
Não te troco, não te vendo, nem empresto a ninguém
Confia mais em mim, para que o mesmo possa fazer
Se dividires tuas dores, a cura vou te prover
Não me queiras como troféu, e o mesmo também não faço
Sou humano, tenho limites. Nunca fui feito de aço
Nem sempre te levo para todos os lugares que vou
Isso não te faz menos meu amor
Existem horas que preciso sozinho estar
Ou com amigos em uma mesa de bar
Outras horas quero estar contigo sozinho
Gozando de afeto, paixão e carinho
Talvez um dia aprendas a me desvendar
É tão fácil e simples, basta apenas você tentar
E quando chegares a ler meus extintos, sem lundum
Seremos dois, seremos um, e jamais serei nenhum.

sexta-feira, 9 de março de 2012

EU SEI QUE...


Os meus sonhos não são vontades distantes e inatingiveis
Pelo contrário, são tão reais quanto o ar
Pelo meu sonho, navego em mares invisíveis
Que aos meus olhos, visíveis estão por sonhar

terça-feira, 6 de março de 2012

QUANDO DURMO


No meu sonho eu posso tudo
Quarto branco, quarto escuro
Campo aberto, alto muro
Nesse sonho, eu me recrio
Me encontro e desafio
Deixo a vida por um fio
Em um sonho, eu me governo
E me deixo deixo ser governado
No sentimento que altero
O sentimento do ser amado
... Se sonhar é tão possível
Dou imagem ao invisível
E mudo o resultado do previsível
Dou voz a quem mudo era
E paciência a quem não espera
Torno até mansa, a mais brava fera
Troco palavras duras por aquelas doces
Sendo, inclusive, o que jamais queria que fosse
Bato foto, dou entrevistas, faço poses
No meu sonho, sou artista, sou desconhecido
Sou rico demais, ou total desprovido
Demitido de um emprego, em seguida promovido
Não experimento jamais uma única sensação
Sou o maior dos fracos, e mais forte que Sansão
Sou total desafinado, e essência da canção
Sou mar inundado em águas abundantes
Sou seca ríspida e castigante
Sou mata nativa de índios elegantes
Então te pergunto: Por que não?
Meu sonho é inspiração
É quadro branco para aplicação
E se o pincel tá na mão..
Faço o que quiser então.


NATURAL, ENTÃO.


Um pedaço é um retrato desfragmentado que a vida deixou
Um pedaço é um lapso de tempo que o universo esgotou
Despedaço ainda mais, ao tentar reunir o que sobrou
E o que faço, é apenas aumentar as migalhas desse amor
No contínuo espaço, rompemos o som e sua barreira
Gritamos no infinito, a sempre frase corriqueira
Mas o fim não permite, ser a vida, sempre inteira
E na busca de alcança-lo, gastamos a força derradeira

Natural, então.

sexta-feira, 2 de março de 2012

REVELA NOITE


A noite, assim por dizer, é a entrelinhas do desejo
A noite é a perspicácia de um beijo
É ausentar-se de presente
Vontade expressa em sonhar latente
A noite é destaque em lua
A noite é serenata na rua
É verso triste de amante solitário
Ou alegria de amores inventados
A noite é flor incisa do firmamento
A noite é chama escura de contestamento
É resquícios do abandonado invento
Na obra de um artista sedento
A noite é de estrela correnteza
A noite é astro de certeza
É de uma via a nebulosa
Palavra doce e formosa

É UMA ORDEM


Tá bom, Chega!
..


Mas chega logo
e se despede dessa saudade
que mata de tanta vontade!

MINHAS FRASES


[ Existem certos mundos que nem deveriam existir, um deles é o da ilusão. O da desilusão até que é bom, afinal, deixar de iludir-se é como romper as prisões e cancelas de um manicômio.
Mundo desigual, balança adulterada, onde um coração chora e o outro goza de alegria em cima de desgraça alheia. Entre tantos mundos, nascimentos de novos e morte de velhos, permaneçe, todavia, o da esperança, e esperança em um mundo melhor.]


[ O nosso corpo é a fronteira entre dois universos, um é aquele que vemos com os olhos, e por ele pisamos, o outro é o que vemos com a alma, e está dentro de nós. Por sermos fronteira, somos também passagem, e devemos tomar muito cuidado e dominar, não somente o que entra, mas também o que sai.]


[O sonho é o combustível da vida, quem não sonha, não anseia, não deseja, não se entrega, não estará mais vivo.]


[ Lembre-se que exitirá sempre um reflexo em você, e seus olhos refletem não somente para fora, mas introduz concepções ao seu interior.]


[Em cada um de nós deve sempre existir uma força sobrenatural. Força para enfrentar todos os desafios que a vida propõe, e superar todos os obstáculos que virão.]


[ Meus pés, sacrificados, teimam em pisar o terreno mais arisco que encontra. Esse terreno não é plano, não possui caminho certo, nem bússola para orientar. Neste terreno, que teima em atrair meus pés, google maps é inativo, calendário é inválido e gps é falho. Quanto mais piso, mas desejo caminhar, e tortuosamente encalco pedras e buracos, caio em armadilhas e arapucas. Mesmo com ferimentos, devido às quedas, sinto, ainda que distante, um contentamento em caminhar. Continuo pisando, no entanto mais ainda, e sem nenhum receio, pisam os outros, no terreno do meu coração.]


[Assim voce me desconcerta, me rouba o chão, me tira do eixo, me conduz às alturas, me rouba o ar, me leva as palavras, me prende o olhar, me toma o coração.]


[ E que venham muitos outros risos vastos e intermináveis. Que pelo caminho encontre mais pessoas maravilhosas, e que o conteúdo dos encontros seja infindo. Que venham outros perfumes, e outras paisagens. Que venham outras vezes a mesma alegria, e que o ar percorra os pulmões e refresque a alma. Que venha você que ainda não chegou, e você que por mim já passou, um dia retorne com boas notícias e com vivas memórias.]


[ Adoro acreditar que posso invadir sua mente. E mesmo se tratando de uma mera fantasia, chego a acreditar que é possível ler seus pensamentos. Por isso, cuidado no que pensa, posso ter a imaginação muito fértil.]


[ Feliz aquele que conhece sua essência e que jamais a negocia. Ninguém vende ou troca caráter, no máximo empresta para servir de exemplo.]


[Toda a claridade das minhas intenções escurece a visão do grande pilar, que se sustenta justamente dessas intenções. Cegando-se, olhando para o meu clarear.]



[Os nossos sonhos são frutos de nós mesmos, entrelaçados à nossa visão de mundo interno perfeito.Como se pudéssemos, apenas fechando os olhos, voar sem limites e sem hora para retornar.]


[Não estou em busca de que me afirmem, muito menos que me neguem. Estou em busca de saber quem eu sou, e para tal, uso de afirmações e negações para saber, justamente, o que jamais serei.
Ou seja, o que pensam.]



[O túnel sem luz no seu fim é como a espera de um amor. É um caminho percorrido sem saber onde terminará, sabendo apenas que ainda está escuro.]


[ Os erros, infelizmente inevitáveis, destroem e maculam a tão sonhada perfeição de uma relação. Quem poderá prever até onde, o estado impecável e os bons modos, serão artificializados pelo início da paixão? Justo e digno, para aqueles que assim acreditam, é superar a fase da realidade e do mostrar sincero de cada um.]
 



[ Existem pessoas que são como cristais, lindas e admiráveis. Quem não as tocar com mãos de veludos poderá quebrá-las. Escolha uma opção, ou se contente apenas em olhar, ou passe a beber em copos de geléia, que são tantas vezes desprezados, mas que podem aguentar severas quedas.]

[ A solidão é o vazio mais cheio de convidados idesejáveis. Entre uma pertubação e um agonizador desespero, a dor da saudade ou o anseio de um convívio temporariamente impossível. Quanto tempo dura uma eternidade? Qual o tamanho do infinito? Tudo o que sei é que ainda não vivi a minha eternidade e nem toquei o meu infinito, e a espera só é mais dolorosa porque ainda não consegui dominar o tempo, para adiantá-lo.]
 


[ Se a boca pode ser um tûmulo, a língua pode ser defunto.]

[ A vida é um palpite que se sugere. Ou se aceita, ou se nega.]

[ Cada segundo tem seu valor de eternidade, e cada um carrega também o valor das estrelas. Viva, realmente, sentindo todos os possíveis segundos, e deixando iluminar-se pelo brilho deles. Não os culpe, não os justifique, tenha-os. Percorra os ponteiros com a delicadeza necessária para minunciá-los, no entanto apresse em senti-los como se fossem os últimos, não pela morte, mas pela ausência.]

[ Fundamentalmente, faz-se importante avaliar quais juízos de valor estão sendo dados a quem está com você. Não se pode construir uma relação com bases fracas. Pelo contrário, deve se fortalecer e o que solidifica o amor é a sinceridade, o respeito, a confiança e acima de tudo o desapego ao engrandecimento do ego. Casal é dois corpos em um, se estiverem separados é porque estão com problemas, deve se lutar para reuni-los, caso não haja esse desejo, caberá perguntar se é correto bater em teclas já tão surradas e batidas.]

[ Um boa companhia faz toda diferença.
Afinal a melhor companhia é aquela que ao invés de te ofuscar, te realça.]

[Todo homem precisa de um mínimo de dignidade pra reconhecer-se como tal. Olhar no espelho só vale a pena quando o reflexo te olha no olho.]

[Em alguns instantes o giro termina e tudo volta ao mesmo lugar, à mesma posição. Depois, torna a girar até que volte novamente. E assim seguimos para o desconhecido.]
 

[Um mestre chamado vida me falou que a felicidade é uma eterna faísca que foi implantada em nós. Em alguns apenas aqueçe como sinal de existência, em outros explode e queima, em mim é tão densa e em larga quantidade que acaba por entrar em erupção.]

[Geralmente é assim. Quando tento escrever, esgoto-me de nada fluir. Porém, quando entrego a mão ao pensamento, vejo transfigurar-se alma independente.]
[Dependendo da sede que se tem, saciar-se em gota dágua é tão mais profundo que mergulhar em um oceano.]

[O que escrevo não é um convite, mas sim uma apresentação do mundo que enxergo ou finjo ver, se conseguires então enxergar da mesma forma, isso fatalmente te convidará a mergulhar também.]

[Minhas variantes formas não me tornam uma pessoa de personalidade distorcida, ou portador de bipolariadade. O fato é que nem sempre eu acordo com o mesmo humor e nem sempre como as mesmas coisas no café da manhã. Eu não fui programado, daí as pessoas criam fórmulas e traços de caráter para mim, e por desejarem me montar, formam um esteriótipo irreal.]

[Me disseram uma vez que, as pessoas entram e saem de nossas vidas em um piscar de olhos, por isso mantive os meus fechados para não ter que perder você. E estando fechados, me deslumbro em ouvir tua voz, tocar teus lábios e sentir a tua presença.]

[Melhor ter somente a lua na noite, do que não poder separ-me da escuridão da minha sombra durante o dia.]

[Acabo por acreditar que somos cegos mesmo. Ou então, nos conformos em enxegar pelos flexes de luz que transpassam à nossa venda. E que o apego ao "não ver" está cada dia mas cômodo aos relaxados. Falta ousadia pra entregar os olhos a luz.]

[No final... a gente de fato aprende a não idealizar pessoas. Cada um é o que é, e portanto cabe a nós escolher os pensamentos afins. Decepção só ocorre quando ostentamos ao outro o lugar de perfeição que não lhe cabe.]

[A cultura e o conhecimento são irresistíveis quando o indivíduo absorve o pluralismo necessário para compreender que a diversidade é indispensável.]

[Isola-te pois no âmago do teu ser, e encontra-te em tua própria natureza. Descobre assim, com verdade e clareza, a fé que te crer.]

[Plenitude, para mim, não é nada mais do que viver plenamente e com suficiente atitude.]

[Sorria e veja suas rugas.. quando elas surgirem em definitivo isso significará que em seu rosto deverá, também, existir sempre um vasto sorriso.]
 


 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SER FELIZ PELA FELICIDADE

Venha hoje ser feliz
Vamos ser feliz agora
Felicidade como sempre quis
Sem se preocupar com a hora

Vamos ser feliz por ser assim
Felicidade sem data marcada
Dia feliz pra você e pra mim
Feliz risada extrapolada

Cuide de ser feliz também
Que ela cuidará de você
Sorria sem ver a quem
E a felicidade vai te ver

Faça o dia de alguém ser alegre
Alegre em todos os dias
Para ser feliz, não espere
E se puder, sorria! Sorriso não fere

A felicidade é de amigos o entorno
De segundo feliz a eternidade
A alegria é sempre o retorno
De ser feliz na simplicidade

Sem se preocupar com a hora
Felicidade como sempre quis
Vamos ser feliz agora
Venha hoje ser feliz

Feliz risada extrapolada
Dia feliz pra você e pra mim
Felicidade sem data marcada
Vamos ser feliz por ser assim

E a felicidade vai te ver
Sorria sem ver a quem
Que ela cuidará de você
Cuide de ser feliz também

E se puder, sorria! Sorriso não fere
Para ser feliz, não espere
Alegre em todos os dias
Faça o dia de alguém ser alegre

De ser feliz na simplicidade
A alegria é sempre o retorno
De segundo feliz a eternidade
A felicidade é de amigos o entorno

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NÃO


Não adianta cobrar aquilo que não se sabe
Muito menos pisar onde não se tocam os calcanhares
Falar por falar, alimentar o desespero
Nem correr com muita pressa para alívio do desejo
Não adianta devolver ao dono o coração pisado
Querendo consertar o mal feito executado
Dar-se o perdão por auto clamor de piedade
Nem querer ser o dono da verdade
Não somos centros de atenção de uma existência
Para querermos ser perfeitos em excelência
Vivendo tão somente o sumo de nossa essência
Nem deixar de exercitar o dom da paciência
Não adianta culpar os traumas da infância
Como autores de toda a sua ânsia
Dizer toda hora que isso tudo cansa
Nem dar crédito a intolerância
O não pelo não, não é aceitável
O sim pelo sim pode ser o responsável
Mas o não é o inverso do desejável
E o sim, é aceitação do provável.






ESPERA


Finjo para mim fortalezas inexistentes
E acabo acreditando no que minto
De tanto dito e insistente
Adormeço a dor do que sinto
Cego para inexatos clarões
Entre velas e poesias declamadas
Repetindo sempre as mesmas canções
Consolo à alma desamada
Cálices servidos, mesa intocada
Suspiros de muita ansiedade
Aguardo a notícia de sua chegada
No entanto chega apenas a saudade
A decepção bate sempre em minha porta
E o que desejo parece distante
O destino me contraria em sua rota
E me enfrenta a todo instante
Voltando ao cálice, um eu bebi, o outro derramei
As velas, o vento apagou
Do sonho finalmente acordei
E vivi o resto que sobrou

domingo, 15 de janeiro de 2012

AS GAIVOTAS E EU


Eu pensava que conhecia o trajeto das gaivotas,
e ao julgar sua assimetria lhes nomeei tortas.
Confundi-me tanto, que minha visão se perdeu,
era voo tão livre que no céu amanheceu.
Que tolice a minha julgar tal natureza morta!
Foi quando ouvi aquela voz, que de sabedoria exorta:
Pequeno homem te comporta! Tal como tu, elas têm sua própria rota.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GOLES DE VOCÊ


A amplitude de um pensamento voraz derrete os meus desejos mortos
Invade sem qualquer licença os olhos redis e tortos
Vontade ardente e descontrolada de tocar-te agora
De romper à física e congelar nossas horas
Desequilibrei-me na lonjura desse infinito instante
Roubarei do destino todo o tempo restante
Vou te atrair de propósito em minha armadilha amorosa
Pois você é minha vítima e sei onde você mora
...


Desistido da perspicácia da falha
Encarei o que sobrou como algo que o valha
Tomei mais dois copos amargos de arrependimento
Suficiente para distorcer todo e qualquer desalento
Em poucos instantes surgiram risadas altas e provocantes
Acordaram os invejosos suspiros amantes
Depois disso invadiu-nos o sono
E permanecemos, ainda com muito esforço, tudo o quanto somos.


sábado, 19 de novembro de 2011

EFEITO COLATERAL



Tudo começa através de um magnífico impulso neurológico.
Deverá haver caminho livre de trânsito rápido para a troca de informações.
Para cada freio de espanto intrínseco, ocorre o abandono de ousadia decorrente de manifestos de outrora calados. Esses manifestos reagem a um estímulo próprio. Esses estímulos traduzem as absorções de falas, olhares, toques, intenções. Um estímulo pula de um corpo a outro em fração de segundo como energia que magnetiza atrações de forças opostas. As forças caminham em direções que não se complementam. Buscam equilíbrio, medem impulsos.
Cada corpo, abstraído do sentido mais plausível, encontra seu lugar de conforto.
As teias magnéticas que geram essa atração buscam nos corpos alojamento de extintos sucessivos.
Há calor nessas relações. Há queimas intermináveis de partículas em movimento contínuo. Partículas unidas geram sistemas dispostos organizadamente, e formam grupos. Os grupos sequenciam-se de modo ereto e ostentoso em uma estrutura de significados.
Movimentam-se bilateralmente em ângulos multifacetados.
Explodem, seletivamente, milhões de possibilidades de reações.
Tudo pronto. Aguarda-se, então, o comando da fonte progenitora maior.
Deverá ocorrer despressurização e abertura das comportas.
Demora!
A autorização não vem. Algum circuito deve ter atrasado – pensam.
Espantam-se!
O mentor envia ordem de recuo, de retorno, de desarmamento.
A estrutura desmontou, o projeto faliu, as relações se desligaram.
...

O que houve?
...

Outro tanto de silêncio
Veio, então, a resposta:
A boca calou e a palavra foi engolida
Resta agora a explosão interna. Consequência de não haver dito o que se pensou.

domingo, 13 de novembro de 2011

NA PRÓXIMA VEZ


Rancorosas palavras um dia irei te falar
As que juntei com gosto para em ti soltar
Aquilo que ficou preso e impossível de explodir
Explodirá por dentro até que solte então
Com deboche, ironia e rancor ruim, mas
NA PRÓXIMA VEZ VÁ ENGANAR O CÃO

Trocávamos acusações e você era sempre réu
Para mim todo inferno, pra você todo o céu
Minha alma se isolava, se espremia, tinha sede
Eu sempre culpado de tudo, pagava o pato
Encurralando-me contra toda a parede, mas
NA PRÓXIMA VEZ EU CUSPO NO SEU PRATO

Passava a noite fora e não dizia onde estava
Desligava o celular, e nem uma satisfação dava
Abandonou-me perdido em uma ilha
No fim diz que se arrepende e faz tudo acontecer
Fala que está tudo a mil maravilhas, mas
NA PRÓXIMA VEZ EU TRAIO VOCÊ

Você se comportava como a força da relação
A parte evoluída, o mentor do coração
Subestimava-me como alguém sempre incapaz
Duvidava da minha ousadia, e me fazia um grande furo
Porque você se achava demais, mas
NA PRÓXIMA VEZ EU PICHO SEU MURO

Criou um teor de dependência que gritava na minha parte
Pintou com desdenho o “eu” obra de arte
Embora possua esperteza, não acredito ser tão ágil
Para se iludir facilmente com minha sensatez
Porque eu sei o tanto que você me acha frágil, mas
NA PRÓXIMA VEZ NÃO HAVERÁ PRÓXIMA VEZ

ESTAÇÃO BRASIL


Senhora gigante da própria natureza
És o infinito do paraíso apresentado em nossas calçadas
Entre sorrisos, amantes de vida e beleza
Salve e salvem a terra adorada
Mulatos, morenos, alvos. Todos juntos encontrados
Para viver a esperança de nação
Na raça de trabalhadores esforçados
Em suas ferramentas de oração
Olhai a mata verde impecável
E as doces águas purificadas
A fonte de riqueza inesgotável
A busca da almejada liberdade
Em riachos de águas límpidas de sonhos
Da fuga concreta da raça misturada
Inchada na mão, preparando a terra
Coragem desnuda de cicatrizes travadas
Em tentativa de acerto, foges e erra
Sai do seu cantinho em busca de vitórias desejadas
Corremos nossos campos e penetramos o orvalho
Colhemos os frutos das ancestrais plantas brotadas
Importantes raízes que sustentam os nossos galhos
Faz-nos viver o que somos, e a árvore jamais será cortada
Invadidos de interesses e tomados pela ganância
Sustentamos fragilmente a nossa ingenuidade
Sofridos desde a época de infância
Mas mantemo-nos com toda a identidade
Sutilmente repararam que expandimos até aqui
Suscitou comentários que devera assistir
Até onde o vento vai, e de onde pode vir
Que tamanha capacidade do nosso povo ainda sorrir
Natural da américa indianizada
Esses homens surgiram então
Obrigados a ajoelhar-se para a santa rezada
Joelhos dobrados, mão atadas, excelsa oração
Nossa bandeira, o estandarte do multicor e colorir
Representa muito bem a vasta diversidade
Aberta à expressão, ao direito de ir e vir
Desperta em nosso povo sensação de liberdade
A viagem é repartida, para amantes de coração
Paremos então nessa nossa estação primeiro
E desfrutamos essa pura sensação
Virtude única de ser humano, brasileiro

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

E O PIOR QUE EU JA SABIA


De repente me deparei com você e suas manias absurdas
Sua vontade de domínio forçado de relação às escuras
Tua vontade de falar-me alto e mostrar superioridade
Com sua brincadeira sentimental invasiva
Tua essência respirava desrespeito ao amor de verdade
Tuas palavras eram deformadas e corrosivas
Você jurou tantas promessas que até podia acreditar
Mas durava a minúscula eternidade de um olho a piscar
Você manipulou com artimanha a inocência de um coração
Deixou criar sonhos medíocres de nunca realidade
Ingeriu o prazer completo de noites de clarão
Cuspiu com vontade, ingratidão, ódio e insensibilidade
Em que instantes foram feitos os teus traços frios?
O que te motiva a não desejar, pelo menos do medo, apenas o arrepio?
Não pode ser possível gostar tanto da solidão
Ao ponto de tornar ao outro objeto de estante
Artefato antigo de mera decoração
Ventríloquo manipulado de tuas adesões restantes
Questionei-me, massacrei-me. Quis deixar-te. Era o racional
Voltava ao começo, no mesmo sofrimento, ao ponto inicial
As correntes invisíveis do meu próprio porão
Entrelaçava-me e não me deixavam passear
Suspendiam-me daquele teu chamado chão
Ironicamente fazia-me de tetos em tetos flutuar
O que ilusoriamente eu ainda esperava acontecer?
Mudanças suas que modificassem essa nossa forma de viver
Isso não acontece assim, movido apenas pela minha singular vontade
Estar sozinho em meus planos era algo comum, ainda assim desejava
Queria ouvir a tua campainha tocar e abrir a porta para felicidade
E descobrir que no fundo de tudo, você simplesmente me amava
Sentados ao canto, começamos a esperada conversa
Você quis resumir o assunto, eu detestava aquela pressa
Poupou em três palavras, abusou em consequência
Olhou-me pela ultima vez e me afastou para o lado
Deixou pra trás um amor, abandonando em consciência
E disse apenas: ESTÁ TUDO ACABADO.

GRITO


Aventurar-me em minhas múltiplas loucuras já tão conhecidas
Sem ter hora para retornar de mim, sem compromisso, sem amarras
Ontem saltei de um prédio em chamas ardentes de labaredas fortes
Era sonho de terremoto, de desejo sórdido, remoto, sem rótulo
Naquele instante quis permanecer longe da realidade
E não ter de encarar certas complicações, aplicações, implicações
No meu mundo eu me mando, eu me mudo, eu não sou mudo
Existem vontades respeitadas ao que falo, não me permito ego machucado
Não aceito nenhuma tipo de tortura, armadura, compostura, que dirá ditadura
Mas aconselho ao quieto, ao frenético, ao esbelto, ao diabético
Seja livre de toda liberdade espontânea
Não se importe com tapas e palavrões em público
Viva, reviva, conviva, invista à vista
O Olhar é perspicaz, indiscreto. Deixe que olhem mesmo
Seja foco, modelo, enquadre de terceiros
Já despetalou as rosas do jardim vizinho?
Despetale-as!
Já tomou para si a serenata dedicada a outra pessoa?
Tome-a!
Já quis por um segundo não ser você mesmo?
Usurpe!
Já leu versos que acredita serem seus mesmo não os tendo escrito?
Plagie-os! Até mesmo esses.
Já ofendeu alguém em pensamento?
Ofenda-os! Mas só no pensamento
Já os elogiou em voz alta?
Continue elogiando-os! Afinal precisamos dizer aos outros o quanto são bons.
Descubra seu próprio itinerário, após descobrir me faz um favor? Esqueça
Lembre-se sempre de você. Acredite em você. Ame você. Viva você.
Lembre-se sempre do outro. Acredite no outro. Ame o outro. Viva o outro.
Não sejamos egocêntricos. Aliás, sejamos sim! Apenas o suficiente para conhecer a dádiva do amor próprio
Após tudo isso acordar faz parte, tornar a realidade da verdade
Pois aventura é muito mais interessante quando a gente vive longe dela
Quando a gente vez ou outra a encontra
Então começa novos planos na espera do que está a pronta
E quando sentir-se sozinho, triste, cansado, faminto, excitado, tenso, abandonado, calado, feio, assustado, inquieto, raivoso, rancoroso, arrependido, feliz, realizado, louco
Grite o mais alto que puder até ficar rouco.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DESABAFOS EM REUNIÃO


Aquele que nos enviou nos dotou da capacidade de amar
E como instrumento deste dom deu-nos os familiares
Amizades, almas similares, vontade de sonhar

Feliz o homem que reconhece a grandeza de ser pequeno
E em seus atos mais nobres, atitudes que elevam o espírito e fortalece o peito erguido

Passamos a maior parte de nosso tão acelerado tempo nos preocupando em milhares de desatentos
Amores vis, dores passageiras, atitudes certeiras

Não foi o inverno que trouxe o verão
Nem foi cessada a virtude de perceber a inspiração

São os pilares da construção servil em um céu azul anil,
A massa, o povão e o civil

Dinheiro tantas vezes em primeiro, foges do bolso que parece furado
Dívidas, contas e contratos em prestações como cavalo-alado
E o duro salário o sonho vai suprimindo
O pai vê o garoto sorrindo, lhe pedindo um novo brinquedo
Mas sentes a dor estampada no peito
- Quem sabe próximo mês! - grita a crença do pobre camponês

É tanta buzina de carro, é tanto paletó de empresário
Semáforos e reuniões. E agora onde estão as emoções?
Estampados na figurinha de icekiss? Ou no serenata que a namorada quis?
Não é justo patrão, não existe compra e venda do pobre coração.

Gentilezas de piedade já não importam não
A fé é a gasolina do carro cristão
A gente nessa tribuna, muitas vezes em posição de réu, detendo a esperança, chave do céu
E quem nos cuida, a fuga o guardião, protetor incansável

Segredos fúteis eu não quero guardar, tesouro da vida eu aprendo a buscar
Já não importa se é noite ou dia
Caminhe sempre com alegria
Mesmo que pela cidade dos solitários, em seus atos primários

A verdade é que permanecemos encaixados nessa teia de confusão
Movidos pelo Instinto de sobrevivência, a sonhada evolução

Conclusão da Reunião

TREM SEM DESTINO


Ainda tenho guardado em mim sonhos ambiciosos e virtudes decifráveis
Por muito tempo quis encontrar o momento certo de mostrar o meu melhor
Talvez esse momento ainda não tenha chegado
Descobri que o tempo é um trem sem destino, com diversas estações
Ou a gente permanece nele e segue sem saber aonde vai
Ou aventura-se em saltar em movimento
Eu optei por esperar a próxima estação
E saltar em alguma esperança de solo firme
Não sou tão invencível que permanecesse sem destino
Nem tão forte para saltar no caminho sem nada
Sou apenas um homem de fé, e fé no que virar

O RETRATO


Hoje eu regressei em minhas muitas recordações
Abri uma antiga caixa onde guardo tudo que considero importante
Toquei objetos, li vários bilhetes, ouvi várias canções
Voltei ao passado por um piscar de instante
Quase uma hora passada e eu não parava de olhar
Tudo se tornara único, cada carta, cada recado
Muitas pessoas e momentos para relembrar
Mas o que mais me inquietou foi um certo retrato
E olhando o tal retrato, fui levado aquele dia
Sem que fosse de minha vontade, fui jogado pela memória
Revi aquele momento como farsa da realidade fria
Busca giratória da minha identidade, esquema paralelo da história
Aquela fotografia foi intrusa e não autorizada
Apenas euforia de amante propriamente dito
E sem que o outro percebesse, registrei a tal amada
Coragem de ousar e enfrentar sem ser coibido
Quando a luz da câmera a tocou ela se fez despercebida
De fato ela nutria esse recíproco desejo
Olhou profundamente pra lente destemida
E voltou ao seu senhor, em lugar de cortejo
Percebi sua lágrima ao canto do olho cair
Não era uma dama plenamente feliz
Era de um atrair fogoso em seu ímpeto despir
Que superava o talento de qualquer meretriz
Poderíamos ter vivido um tradicional envolvimento
Onde existisse separação, e nova casa para morar
Preferimos, no entanto, mantê-la em seu casamento
A aventura do proibir era o segredo do flertar
Horas juntos nas madrugadas escondidas
Deixávamos surgir risos intermináveis
Era fuga que precisávamos, sem medidas
Com carícias longas e incomparáveis
O tempo passou. Já não nos víamos com frequência
Ela renegou e quis por um ponto final
Era medo de seu senhor que descobriu a efervescência
E a intimidou com ameaça mortal
Eu fui embora. A dama também.
O romance foi real e de fato
E de todos os prazeres que ficamos sem
Restou apenas o retrato

 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O TECIDO LUXO


Farpas de soberba incomodam
E de qualquer valor é atribuída
Mas onde está a velha roupa?
Deixada de lado, foi esquecida
O engano se transpôs
Na verdade que se complica
Com caráter que se distorce
E o desejo se suicida
As pérolas invadiram o salão primeiro
A dama da noite corrompeu os olhares
De toda graça, de jeito faceiro
Estremeceu a torre e seus pilares
Cobriu-se de inquieto poder
Na natureza do ter infinito
Parecendo um tanto comum
Em um mundo oprimido
Oprimido da própria necessidade
De fazer-se exclusivo
Confundido felicidade
Com acúmulo excessivo