Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








terça-feira, 31 de julho de 2012

CARTA IV- FIM DE TARDE


AZUL MARINA


− Levanta bem alto e segura na ponta!
− Assim tá bom?
− Tá! Agora espera o vento vir. Quando eu gritar tu solta, certo?
− Certo
− Lá vem. Solta vai!

...

                Fim de tarde é a hora que os garotos ganham as ruas de bairro e aproveitam para extravasar toda a energia que eles possuem. É hora de a agulha embolar-se para formar o crochê das senhoras que ficam sentadas no lado da sombra, jogando conversa fora com assuntos descompromissados, rotineiros. Mais á frente ficam os senhores, formando um quadrado, com uma tábua sustentada pelas pernas para dar base ao velho jogo de dominó.

                O vento fresco do fim da tarde reúne toda a vizinhança nas calçadas, uns com preguiçosa, alguns em banquetas plásticas, e outros sentados naqueles bancos feitos de cimento, recostados sobre a parede.  Bolinhas de sabão estouram ao tocar os fios de energia, e o chão, em baixo do pé de jambo, fica rosado das flores que caem. Meninos malinos, riscam o asfalto com pedaços de gesso, fazendo dele, um painel de imaginação. 

                À tardinha, sempre tem crianças banhadas e bem vestidas, sentadinhas e entretidas com a magia de seus brinquedos, olhando seus irmãos um pouco maiores, se esgoelarem, enquanto correm loucamente de pés descalços, brincando de sete pecados, ou ficam paralisados, aguardando alguém tocar-lhe no joão a cola.

                Meio retraídos, ao canto, ficam os adolescentes de doze e treze anos, tímidos.  Os meninos trocam olhares com as meninas, e vice versa. É época de empurrar o amigo em cima de quem ele gosta e deixar o coitado todo errado, desconcertado.  E para completar tem sempre alguém que revela o grande segredo, e conta pra pessoa que se está apaixonado. Hora de negar até a morte. Beleza da inocência.

...

− Soltei! Agora corre, corre!
− Tô correndo, mas não ta subindo.
− Da mais linha que sobe.
− Não tá subindo, o vento tá fraco.
− Enrola o carretel, a gente tenta de novo.

...

                Cada passo que damos na estrada da vida, além de deixarmos nossas pegadas, levamos ainda, um pouco de areia nos pés. Essas areias são fragmentos, momentos e decisões escolhidas, consciente ou inconscientemente. Formam bases de reconstrução de nossos conceitos e nos permite fazer uma análise rápida, involuntária e fotográfica, como se pudéssemos, ás vezes sem querer, voltar ao exato momento da lembrança, passeando pelo tempo da memória.

                As nossas memórias não são apenas próximas ou remotas, são também cicatrizes, que fincam nossa história. Elas nos norteiam em decisões a serem tomadas, ou nos massacra com culpas e acusações.

                Cada um carrega consigo uma bagagem, que pode ser tão leve como uma pluma, ou tão pesada como um fardo. São cargas de emoções, ressentimentos, lágrimas e sorrisos. Pessoas que entraram, saíram, ou permaneceram em sua vida, e mais além, pessoas ao qual nunca se conheceu, mas que foram projetadas pelo instinto do desejo não visto em outro alguém.

                Culpas e massacres da alma, aliados a falta de auto perdão e travas de traumas e medos, formam uma linha áspera e pontiaguda que, além de ferir, encarcera e aprisiona os aflitos que delas possuem. São causadores de desordem mental e desequilíbrio emocional. Levam pouco a pouco, e sorrateiramente, a sintomas depressivos e a máculas sentimentais. Não podemos deixar-nos ser algemados pela nossa culpa, e pelo fracasso. Somos humanos e devemos nos reconhecer como falhos, porém capazes de reconstruir sistemas, quantas vezes forem necessárias.

                Se de um emprego fora demitido, ou de um relacionamento abandonado, deve se sentir a dor desta perda, mas não viver em função dela. É natural que se lamente e se cobre, a princípio, mas é necessário deixar para trás, aquilo ao qual ao passado pertence, e assim, seguir com toda a experiência que a perda te trouxe.

                A dor de sepultar velhos sentimentos e antigos apegos, bem como a responsabilidade sobre algo que não deu certo, é feroz e insuportável, porém não se pode tentar ressuscitar defuntos, nem ao pouco enterrar-se com eles. Aprenda a saudar com adeus e deixar que o que se foi, se vá livre, e livre permaneça você também, pela força da decisão de deixar ir. O que morre, parte para outro nível, e abre espaço para a chegada do que nasce.

                Deve ser um exercício diário, a análise profunda de sua vida e suas decisões, não para culpá-las ou justificá-las, mas para entender quais foram os pilares escolhidos na sustentação daquele caminho. E revendo suas escolhas, extraia o sumo delas, conservando as boas, descartando as ruins, melhorando e crescendo.

...

− Segura direito!
− Pode deixar. Presta atenção pra dessa vez dá certo.
− Quando eu gritar tu solta.
- Tá.
− Tá vindo, tá vindo! Solta vai!
− Corre! Corre! Tá subindo, continua vai. Dá mais linha!
− Uhuuuuuu! Subiu!
−Eita, tá bem altona! Deixa eu dá um lanceio?

...

                Para chegarmos aos nossos objetivos, precisamos de estratégias, e acima de tudo persistência para alcança-los. Não podemos desistir na primeira frustração, pois acredite, o vento da vida vai derrubar várias vezes a pipa dos teus sonhos, e nem por isso você deve desistir de colocar ela no ar, livre, exuberante, bela.

                Lembre-se que você tem uma pipa e um carretel de linha nas mãos. A pipa é tudo o quanto você deseja, acredita e espera, remete aos teus pensamentos, conceitos e ideais. O carretel é a possibilidade de distância que você pode dar, é o controle de intensidade que você tem. A pipa e a linha estão aí! Mas não se solta pipa dentro de casa. É fim de tarde e o vento saudoso te espera lá fora para você arriscar soltar a pipa. E ela só irá subir se você tirar o peso das pedras que podem estar amarradas a ela, deixe-a leve, sublime, e delicada.

                Junte-se aos garotos na rua, no fim de tarde. De pés descalços mesmo, sentindo o chão que pisa, e correndo por todos os lados. Divirta-se sem pudor, ou preconceitos.  Tente quantas vezes forem necessárias, mas só volte para casa, quando tiver contemplado a pipa no ar, se perdendo bem pequenininha no imenso quadro azul chamado céu.
                Quando você se der conta do quanto foi bom viver esta experiência, libertando-se de pesos altamente desnecessários, o sol já terá ido embora, e o cenário terá sido modificado, afinal, será início de noite, as luzes dos postes estarão acesas, e o ritmo da cidade, desacelerado. Então você se reconhecerá novamente, reunirá o desfrute de momentos de pura libertação pessoal, e receberá a noite de uma forma diferente, mas aí já é outra história, que você brevemente descobrirá.

terça-feira, 24 de julho de 2012

CARTA III- MEIO-DIA

 AZUL MARINA



               Era aproximadamente meio dia, à sombra de um refrescante pé de ficus e afagada pela brisa do atlântico, observava o céu aberto, sem nenhuma nuvem, beijando o mar, compondo um exuberante cortinado. Leves brumas enfeitando o caminho, e ao longe, crianças correndo com seus atenciosos pais.

                O conhecido verde mar, migrara para um turquesa azul, e como um espelho, refletia a ofuscante luz do sol que lhe batia. Fiquei por muito tempo observando todo aquele movimento, do vento nas plantas, dos risos das pessoas, e dos fartos e descontraídos momentos de alegria. Lembrou-me uma sinfonia, cada um com seu som, sua forma, sua peculiaridade.

                Estava no passeio público, e fui invadida por uma sensação de liberdade, despreocupação e nada a fazer. Clima perfeito para apaixonados, amigos e poetas.

                Falando em apaixonados... Admiro os apaixonados! Aqueles que curtem estar apaixonados sejam, por outro alguém ou por alguma coisa, um sonho, uma possível aquisição. Paixão é intensidade, adrenalina, aventura. Não a julgo ruim, apenas passageira. No entanto, às vezes é porta de entrada para outros sentimentos como o amor e amizade, por exemplo.

                Paixão é como chama, e nós, somos como velas possuidoras de uma essência que é o pavio, que nos percorre. A chama na vela acesa pode durar até o fim, mas basta um assopro para a chama apagar. Assim também é a paixão. Tão imprevisível, inesperada, imprudente.

                Não sou guru, muito menos mentora, mas gosto de dar conselhos e ao contrário do que dizem, podem ser muito bons. Bom é curtir sua paixão, ou suas paixões. Viver o momento mágico de estar apaixonado, aquele que a gente perde a vontade de comer, ri da própria queda, dá bom dia a desconhecidos e vive no mundo da lua. Sabe aquele momento que você fica se balançando na rede, lembrando-se daquela pessoa e pedindo para o relógio correr? É o auge da paixão. E referente a ela, não se pode medir o tempo e a intensidade, mas pode-se viver e saber tudo no final. Então vamos assumir nossas paixões, sem cobrar que sejam eternas. Pois não serão, a não ser em nossa memória.

                Muitos dizem que estão em busca apenas de amor, que acham a paixão algo banal. Que tolos! Provavelmente já se apaixonaram umas vinte vezes e não se dão conta, ou não se permitem. Não digo que alguém que viva apenas de paixão, seja uma pessoa completa, porém quem muito se apaixona, muito se conhece, e descobre as coisas que a agradam e as personalidades que a atraem.

                Não aparente alguém diferente do que almejas ser, entrando em lugares, não olhe se não quiseres ver. Não se apresse, ao contrário, sossega teu ímpeto medo e guarda a força da tua minúcia, revela as paixões que desejas e grita ao mundo a tua denúncia.

                Acredito no amor como sentimento mais forte e real que existe. O amor é transformador de cenários, é como vento no deserto que modela as paisagens áridas, às vezes refresca e alivia, outras vezes invade como tempestades de areia. Nunca é desprezível, mesmo em situações adversas. Deve ser compreendido e delineado sabiamente por aqueles que verdadeiramente o possuem.

                O amor é prova da supremacia e da ordem de natureza superior. Quebra-cabeças colorido com peças difíceis de montar. Precisamos entendê-lo e principalmente senti-lo. Não pode ser frustrado jamais, pois como mola, a vida o impulsionará novamente, mais cedo, ou mais tarde. Respeite o amor seu e do outro, afinal o do outro pode ser para com você.

                A sombra do pé de fícus já se afastara um pouco, e o calor do sol já podia ser sentido mais fortemente. Entre os feixes de luz e giros de pensamentos, vi um casal de aproximadamente vinte anos sentados em um banco, distantes de mim uns dez metros.

                Mesmo ao longe, prendi-me ao detalhe dos dedos entrelaçados que uniam as palmas das mãos, junto a isso, simetricamente trocavam olhares cheios de vontade e de presença. Não falavam muito um com o outro. Talvez estivessem tímidos por ser algo novo, ou então estavam se redescobrindo. Continuei a olhar mais alguns segundos e me desviei para as borboletas que pousaram perto deles, e ali ficaram imóveis durante muito tempo.

                Na vida de todo casal existem borboletas leves e delicadas. Essas borboletas são aquelas pessoas que são como ombros e ouvidos, presentes na pior das ausências. Cuide delas e zele pela beleza da sua existência. Quando estiver enfeitiçado e no mundo da lua, pela maravilha dos beijos e carícias, não se esqueça das borboletas. Não as prendam em cúpulas indestrutíveis, e nem as visite apenas na dor. Assim como borboletas, essas pessoas são lindas, encantadoras, e são ainda, sensíveis e delicadas.

                Cultive o jardim da amizade, mesmo quando o amor e a paixão estiverem às mil maravilhas, e curta ao máximo suas borboletas, passei com elas, deixe-as pousar livremente em sua vida e ofereça colo. Desta forma, a felicidade te encontrará mais brevemente.

                Durante todo o tempo que estive ali, a cena das borboletas imóveis e próximas ao exuberante casal, foi sem dúvidas o que mais me inquietou. As reflexões provocadas em mim foram tão envolventes que nem percebi o tempo passar.

                Desejei congelar aquele instante e mergulhar no mais profundo espiral de minha mente, no entanto o sol já estava muito aquecido, foi hora de se despedir e aguardar o que ainda iria vir, e por hora, fiquei com o azul das borboletas que voaram até a mim.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CARTA II- AMANHECER

AZUL MARINA

Paradoxalmente, o exato momento em  que a noite é mais escura, é intantes antes de o dia amanhecer.  É uma sádica proposta do universo para não esquecermos o quanto é tênue a fronteira que limita os opostos.  São assim, também, os sentimentos. Por isto entre o ódio e o amor há um sutil encontro, e  basta um passo para invadir o terreno do outro e ser clandestino.

Não esperei nem o galo cantar pela segunda vez, levantei apressadamente, e antes de qualquer coisa, corri para o quintal e respirei intensamente o restante de orvalho que a noite deixou. Curiosamente, o céu estava saudoso com um azul alaranjado, entre nuances de cores formou-se um espectro, e por ele, os raios de sol envenenavam o convidativo azul da manhã.

Gozei aqueles raros instantes de silêncio profundo, de ruas vazias e televisores desligados. Foram alguns eternos segundos de interação com a beleza do amanhecer. E como é linda a manhã antes de ser desvirginada pelas estridentes buzinas, levantar de portas, passos contados e ponteiros apressados.

Tornamo-nos prisioneiros do tempo, do calendário, das urgências e dos inadiáveis compromissos com os paletós que nos aguardam atrás da mesa. Sem falar nas transações bancárias e a aferição da bolsa de valores pelo mundo. Isso é tão emergencial! Olhar as sutilezas exuberantes de um lindo nascer do sol pode esperar, afinal, o sol está ali todos os dias, correto? Corretíssimo! O que inevitavelmente ocorrerá, é a chegada, de um dia em que tudo estará lá, realmente tudo! Menos você! E sem você, acredite, a reunião acontecerá, a campanha será lançada, o projeto concluído e as manhãs nasceram outra vez.

O azul da manhã é um convite para o novo, para o renascimento das atitudes e posturas, diante de um mundo que insiste em beirar o caos, desfrutar do equilíbrio que te conduz a elevação. Não se trata de um ritual, nascer com as manhãs de uma forma diferente é uma questão de escolha e decisão. Nenhum dia é, ou será igual a outro, portanto, é um chamado para modificarmos as nossas tão tradicionais e moldadas ideias.

Quisera eu, poder beirar as taças cheias e escolher beber ou não, sem ser afrontada pela minha decisão, ou posta sufocada sobre uma parede, por falsos e hipócritas moralistas, que teimam em apresentar suas politicamente mentirosas corretas atitudes. Os retoques que fazem na imagem, não expurgam os sepulcros de suas sujas mentes, e não os purificam de seus pensamentos malignos quando tocam os lábios sobre os rostos, em menção de cumprimento.

O nascer do dia é perfeitamente belo, e enquanto eles dormem, o azul exalta a beleza do ser, e o desapego ao ter.  

Volto-me, sem assim desejar, para o já mais quente céu, e de longe escuto os primeiros choros das crianças que, desconfortadas, acordaram para cumprir suas iniciais missões de cidadão, e ir para escola aprender a fazer diferença de tudo e todos.

                Fujo das crianças e sinto o cheiro forte do café invadir sem licença alguma, minhas narinas. Cachorros latem famintos, e mais famintos, ainda, acordam os homens. Famintos de uma verdade que não encontram, de um prazer infindo, de uma companhia plena, de uma realização que nunca chega.  Com o amanhecer, os homens nascem para o mundo, mas não nascem para si. Perdem todos os dias, no desejo de dias melhores. E o incessante azul convida-os para mais uma vez encontrar suas essências. Que teimoso azul!  E mais teimoso ainda, é o homem que o vulgarizou, e o tornou banal quando, aos seus olhos, apresentou falsas e passageiras ilusões.


terça-feira, 10 de julho de 2012

CARTA I- MADRUGADA

AZUL MARINA

         Não sei quantas vezes pisquei os olhos, antes de reparar aquela pequena brecha nas telhas, e por ela, as estrelas, destacadas no escuro azul, ostentadas pelo envolvimento da noite. Em azul intenso, fechado e atraente. Não foi a primeira vez que eu olhei o céu de uma forma diferente. Pelo contrário, sempre o  namoro  e envolvo-me pela sedução dos seus mistérios, igualmente ao mar que é tão profundo e que me faz ficar horas e horas tentando desvendá-lo.
         Adoro a energia de observar certas coisas, e a minha obsessão pelo azul não é em vão, pois o azul é a cor mais presente no universo, teima em unir o céu e o mar, dois gigantes que me impulsionam a pensar, e muito mais, raciocinar.
Fitei por alguns instantes aquele pequeno orifício, que trazia até os meus olhos o universo, e em meio a minha distração e insonia, inevitavelmente, começei a  viajar em meu mais louco pensamento, revelando segredos.

         A verdade é que isso, provavelmente, também já lhe ocorreu. Tente lembrar! Quantas vezes estamos deitados, pronto para entregar-nos ao sono e a desconexão com a consciência, no entanto, nada disso vem. Em seu lugar, um filme desordenado de memórias e reavaliações, conceitos e valores circundando o que fizemos ou poderíamos  ter feito.

         É exatamente nessa hora, quando as luzes se apagam, os homens dormem e a cabeça recorre  ao travesseiro, que conseguimos o feito mais impressionante: sair do corpo e se olhar de fora, ser externo as limitações corpóreas. Como assim? Simples! Relembramos tudo, como se fossemos um olhar terceiro, indiscreto, detentor de si.

         Quando tomamos consciência disso, assumimos a honrosa posição de deuses do nosso recente passado, aquele que acontecera horas atrás, formado pelas palavras engolidas, encontros desmarcados, afronta ignorada, conteúdo não estudado, excesso peso levantado, poema não declamado, topada levada.
        Antes de dormir somos arquitetos do amanhã e do porvir. Somos exímios estudiosos, esportistas dedicados, religiosos impecáveis, e é claro, praticantes de uma vida saudável. Lamentavelmente, somos tudo isso somente até o sol nascer, e no mais íntimo do nosso esforço adormecido. Sabe quem é o primeiro a nos afirmar isso? O despertador! O maldito despertador que teima em expandir sua irritante sirene, atrapalhando nossa libernação. E advinha só, quem, ainda de olhos fechados o faz parar?

         O que destrói os nossos grandes projetos é o sono profundo e excitante, de descaso com nós mesmos e nossos desejos. Infelizmente, a capa, o escudo e o emblema de heróis, parimos na noite, antes de dormir, e sepultamos pela manhã, após acordar. Tornamos a engolir tudo o que,  à noite, juramos no dia seguinte provocar.

         E me volto as estrelas. Que linda são as estrelas! Brilhando tão distante, alcançando a mim. No quarto escuro, sem sono, presos entre quatro paredes, o mundo torna-se tão achatado. Mas as estrelas ainda estão penduradas no imenso azul.

         Se você encontra-se cada vez mais encurralado por invisíveis barreiras, como se estivesse sozinho em meio a multidão, você pode estar prestes a cair em um sono profundo. Antes que isso aconteça,  olhe fixamente para cima, para a brecha no telhado, e acredite que o mundo é bem maior, do que naquele momento,  se pode imaginar.








          E se assim como eu, sentir o sono chegando, durma então. Mas se possível não prometa nada, deixe os olhos fecharem, enquanto o azul se vai.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

SUBLIME IMAGEM



Achei o brilho do teu olhar ofuscando
A visão dos homens invejosos
Nos teus seios insinuosos
Entre o decote e o decotar
E no teu caminho
Ficou bonito o asfalto
Quando de passo em passo
Você resolveu desfilar
Segredo do teu tempo
O segundo é o infinito
Teu lábio é mais bonito
Quando resolve me beijar
Não esconde o suor
Irresistível calor
Corpo que esconde amor
De o mundo desejar
Alguém vem estala os dedos
Pedindo minha atenção
Tirando a concentração
Me chamando pra acordar
Voando no pensamento
Sonhando acordado
O desejo é mais ousado
Para quando te encontrar
Olhar nos teus olhos
Dizer mil loucuras
Sonhar nas alturas
E juras declarar.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

MANTO


Se o medo quer te fazer recuar
Diga pra ele tomar cuidado
Pois os seus sonhos não são bobagens
E nada que ele fizer, irá te derrubar
O homem de valor não baixa a cabeça
Enfrenta a dor de peito aberto
E tem fé que tudo vai da certo
Nunca se confunde com miragens
Sabe onde deve pisar
Guarda seu tesouro no coração
Não se embriaga de vaidades
Carrega no semblante a nobreza
Luta a cada novo amanhecer
E pela honra se faz reconhecer
Respeita seus antepassados
Busca a história de suas raízes
Então encontra sua verdade
E torna leve seus fardos
Esse é o homem honrado
Que leva ao mundo seu canto
E faz do amor seu manto.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

COMPOR ESIA


Eu desejei compor melodias silenciosamente,
como se meu pensamento, por um segundo, fosse transportado.
Saindo do meu corpo para esse mundo externo,
que as vezes desconheço, mas que a música transforma.
Quando escutei notas distantes e cifras rasgadas,
acompanhadas de uma voz tão frágil, mas afinada,
escutei com atenção e vivi a magia daquele instante.
Aquela música invadiu inteiramente e me tomou.
Sem perceber fui peça integrante, e ela me provocou:
 - Quer cantar comigo esta minha última canção?
Ousei em aceitar, sem movimentos, sem ação.
Os próximos três minutos seriam surpreendentes.
E foram! Tanto que não sairam da minha mente.
Não cantamos aquela melodia, pelo contrário, ela nos cantou
E ao fim, a voz que era frágil, ganhou força e falou:
Antes de pensar, sinta primeiro!
Eis o compositor!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PARANÓIA


Não quero mais ver você, para que não veja minha dependência
Para que não perceba meu deslize e sinta minha carência
Ser vulnerável também cansa sabia?
Não quero que veja minhas lágrimas, para que digas: sorria!
Por telefone é tão mais fácil, tão mais mágico
Pessoalmente, desconcerta, distrái. É quase trágico
Por isso não vou mais te encontrar. Fica combinado tá?
Não, não to fazendo drama - Sabia que você ia me dizer isso
Faz o seguinte: tenta ler um livro de poesia amor.
Já sei: Rimbaud!
Depois prepara um bom prato e bebe um bom vinho
Sai de casa um pouco, e foge desse ninho
Apenas sugestões pra você me esquecer
Mas voce quer mesmo é vir aqui, aparecer
Então vem amor, tô te esperando
Mas não fala nada, finge apenas que tá passando
E como quem não quer nada, vem me visitar
E se a porta estiver aberta, é porque pode entrar.

RECEBES


Dez flores em um ramalhete
Doce perfume e um bilhete
Cara assustada, silêncio forçado
Palavras declaradas de um homem apaixonado
As flores são jargões perfumados
Passeiam entre campos entornados
Doce é o cheiro que passa a ser teu
Mais doce é olhar que repousa sobre o meu
Em sorriso entreaberto, a gratidão
Meio que sem jeito ficas então
Naquele dado momento de paralisia
Eterno por um segundo se fazia
Dou meia volta e logo saio
Levando comigo aquele dia de maio
E deixando contigo a lembrança de mim
Para estando distante, estar junto a ti.

terça-feira, 1 de maio de 2012

NOBRE SENTIMENTO


Com a ternura do olhar
fixado sobre o velar de seu sono
Liberta de púrpuras o seu sonhar
e entrega o paraíso todo pronto
Agarrada ao cheiro nao sentido
e ao tênue grito nao escutado
Reconstrói um coração partido
E percebe o sentimento acalantado
Estando distante, deseja estar junto
sendo desconhecida, almeja ser reconhecida
Mesmo que para isso percorra o mundo
ou  atravesse toda a vida
Em noites de grande chuva, preocupada fica
Onde estaras? Se pergunta então
Se cai um raio, um tudo imagina
e o abraças com as mãos do coração
Ainda aguarda o reencontro tão esperado
com fé em Deus e nas rotas do destino
Para receber seu filho tão amado
e enfim, olhar nos olhos do seu lindo menino.


segunda-feira, 19 de março de 2012

PROFANNUS


Sou tão profundo que não me permito chegar à superfície
Tenho labirintos com os quais jamais vou me perder
Conheço meus métodos, minhas receita e minha crendice
Não sei o que quero, mas sei bem o que posso fazer
Inevitavelmente sou composto de certa natureza
Trago traços não escolhidos sobre mim
Dificilmente tenho plena convicção de uma certeza
Mas, sinceramente, adoro ser assim
Adoro me reconhecer no meio de um milhão
E saber que tenho um cheiro que será sempre meu
Que minha vida faz parte da minha composição
E que irradio luz própria, no meio do breu
Não me comparo a ninguém, pois isso é tolice
Não reflito no espelho a imagem de outra pessoa
Eu sou o que sou, e não o que você me disse
Choro quando quero, berro, dou risadas à toa
Lembro-me de pessoas em minhas noites em claro
Recordo momentos que congelei no tempo
Desejo retornar aquele dia tão raro
Mas voltar no tempo ainda não é um invento
Sou estranho, exótico, apressado e mandão
Quando estou só me sinto rodeado
No entanto, o mais comum é estar sozinho na multidão
Tentando, fracassadamente, ser notado
Aprendi aos outros julgar, pelo fato de ser também
Ou talvez eu o seja, por primeiro o fazer
A verdade, é que verdade ninguém tem
Enquanto acreditamos donos dela ser
Falo para mim mesmo como devo proceder
E me traço estratégias para sempre acertar
Eu adoro ganhar, mas o mais comum é perder
Só não deixarei jamais de ter o prazer de jogar
Jogar pedras na lua, olhar uma estrela
Cantar uma música minha que inunda
Olhando para o céu desejando tê-la
Sem esquecer que minha alma, como já disse, é profunda
Cavada pá a pá, todos os dias
Em direção ao eu desconhecido
O eu que sou eu, que busca alegrias
Alegrias de ela, um dia, já ter tido.

terça-feira, 13 de março de 2012

HOMEM DESABAFANDO


Ah Mulher!
Se você soubesse o que meu coração demandas para ti
Não te irritarias por tão pouco assim
Faria dos nossos dias memoráveis
Ao invés de dores lamentáveis
Respiraríamos devagarzinho para a ninguém acordar
E olharíamos para o céu, te daria o luar
Mas quantas vezes fazes as mesmas perguntas?
E de repetição, a relação inundas?
Cavalgamos para o já conhecido fim
E te distancias, no lugar de estar junto a mim
Se você soubesse que dizer sempre "eu te amo" não é amar
Não falarias a mim, que só sei te enganar
Eu sei que você é linda, e mesmo que não fosse
Te desejaria, todavia, pois você é doce
É mulher de verdade, é honrada e gentil
Mas as vezes exageras, e enxerga em um, mil
Mulher, meu trabalho dá trabalho
Tenho que escolher uma carta do baralho
E todas outras vem logo me cobrar
E medindo forças tento o equilíbrio controlar
Não és mercadoria, disso eu sei muito bem
Não te troco, não te vendo, nem empresto a ninguém
Confia mais em mim, para que o mesmo possa fazer
Se dividires tuas dores, a cura vou te prover
Não me queiras como troféu, e o mesmo também não faço
Sou humano, tenho limites. Nunca fui feito de aço
Nem sempre te levo para todos os lugares que vou
Isso não te faz menos meu amor
Existem horas que preciso sozinho estar
Ou com amigos em uma mesa de bar
Outras horas quero estar contigo sozinho
Gozando de afeto, paixão e carinho
Talvez um dia aprendas a me desvendar
É tão fácil e simples, basta apenas você tentar
E quando chegares a ler meus extintos, sem lundum
Seremos dois, seremos um, e jamais serei nenhum.

sexta-feira, 9 de março de 2012

EU SEI QUE...


Os meus sonhos não são vontades distantes e inatingiveis
Pelo contrário, são tão reais quanto o ar
Pelo meu sonho, navego em mares invisíveis
Que aos meus olhos, visíveis estão por sonhar

terça-feira, 6 de março de 2012

QUANDO DURMO


No meu sonho eu posso tudo
Quarto branco, quarto escuro
Campo aberto, alto muro
Nesse sonho, eu me recrio
Me encontro e desafio
Deixo a vida por um fio
Em um sonho, eu me governo
E me deixo deixo ser governado
No sentimento que altero
O sentimento do ser amado
... Se sonhar é tão possível
Dou imagem ao invisível
E mudo o resultado do previsível
Dou voz a quem mudo era
E paciência a quem não espera
Torno até mansa, a mais brava fera
Troco palavras duras por aquelas doces
Sendo, inclusive, o que jamais queria que fosse
Bato foto, dou entrevistas, faço poses
No meu sonho, sou artista, sou desconhecido
Sou rico demais, ou total desprovido
Demitido de um emprego, em seguida promovido
Não experimento jamais uma única sensação
Sou o maior dos fracos, e mais forte que Sansão
Sou total desafinado, e essência da canção
Sou mar inundado em águas abundantes
Sou seca ríspida e castigante
Sou mata nativa de índios elegantes
Então te pergunto: Por que não?
Meu sonho é inspiração
É quadro branco para aplicação
E se o pincel tá na mão..
Faço o que quiser então.


NATURAL, ENTÃO.


Um pedaço é um retrato desfragmentado que a vida deixou
Um pedaço é um lapso de tempo que o universo esgotou
Despedaço ainda mais, ao tentar reunir o que sobrou
E o que faço, é apenas aumentar as migalhas desse amor
No contínuo espaço, rompemos o som e sua barreira
Gritamos no infinito, a sempre frase corriqueira
Mas o fim não permite, ser a vida, sempre inteira
E na busca de alcança-lo, gastamos a força derradeira

Natural, então.

sexta-feira, 2 de março de 2012

REVELA NOITE


A noite, assim por dizer, é a entrelinhas do desejo
A noite é a perspicácia de um beijo
É ausentar-se de presente
Vontade expressa em sonhar latente
A noite é destaque em lua
A noite é serenata na rua
É verso triste de amante solitário
Ou alegria de amores inventados
A noite é flor incisa do firmamento
A noite é chama escura de contestamento
É resquícios do abandonado invento
Na obra de um artista sedento
A noite é de estrela correnteza
A noite é astro de certeza
É de uma via a nebulosa
Palavra doce e formosa

É UMA ORDEM


Tá bom, Chega!
..


Mas chega logo
e se despede dessa saudade
que mata de tanta vontade!

MINHAS FRASES


[ Existem certos mundos que nem deveriam existir, um deles é o da ilusão. O da desilusão até que é bom, afinal, deixar de iludir-se é como romper as prisões e cancelas de um manicômio.
Mundo desigual, balança adulterada, onde um coração chora e o outro goza de alegria em cima de desgraça alheia. Entre tantos mundos, nascimentos de novos e morte de velhos, permaneçe, todavia, o da esperança, e esperança em um mundo melhor.]


[ O nosso corpo é a fronteira entre dois universos, um é aquele que vemos com os olhos, e por ele pisamos, o outro é o que vemos com a alma, e está dentro de nós. Por sermos fronteira, somos também passagem, e devemos tomar muito cuidado e dominar, não somente o que entra, mas também o que sai.]


[O sonho é o combustível da vida, quem não sonha, não anseia, não deseja, não se entrega, não estará mais vivo.]


[ Lembre-se que exitirá sempre um reflexo em você, e seus olhos refletem não somente para fora, mas introduz concepções ao seu interior.]


[Em cada um de nós deve sempre existir uma força sobrenatural. Força para enfrentar todos os desafios que a vida propõe, e superar todos os obstáculos que virão.]


[ Meus pés, sacrificados, teimam em pisar o terreno mais arisco que encontra. Esse terreno não é plano, não possui caminho certo, nem bússola para orientar. Neste terreno, que teima em atrair meus pés, google maps é inativo, calendário é inválido e gps é falho. Quanto mais piso, mas desejo caminhar, e tortuosamente encalco pedras e buracos, caio em armadilhas e arapucas. Mesmo com ferimentos, devido às quedas, sinto, ainda que distante, um contentamento em caminhar. Continuo pisando, no entanto mais ainda, e sem nenhum receio, pisam os outros, no terreno do meu coração.]


[Assim voce me desconcerta, me rouba o chão, me tira do eixo, me conduz às alturas, me rouba o ar, me leva as palavras, me prende o olhar, me toma o coração.]


[ E que venham muitos outros risos vastos e intermináveis. Que pelo caminho encontre mais pessoas maravilhosas, e que o conteúdo dos encontros seja infindo. Que venham outros perfumes, e outras paisagens. Que venham outras vezes a mesma alegria, e que o ar percorra os pulmões e refresque a alma. Que venha você que ainda não chegou, e você que por mim já passou, um dia retorne com boas notícias e com vivas memórias.]


[ Adoro acreditar que posso invadir sua mente. E mesmo se tratando de uma mera fantasia, chego a acreditar que é possível ler seus pensamentos. Por isso, cuidado no que pensa, posso ter a imaginação muito fértil.]


[ Feliz aquele que conhece sua essência e que jamais a negocia. Ninguém vende ou troca caráter, no máximo empresta para servir de exemplo.]


[Toda a claridade das minhas intenções escurece a visão do grande pilar, que se sustenta justamente dessas intenções. Cegando-se, olhando para o meu clarear.]



[Os nossos sonhos são frutos de nós mesmos, entrelaçados à nossa visão de mundo interno perfeito.Como se pudéssemos, apenas fechando os olhos, voar sem limites e sem hora para retornar.]


[Não estou em busca de que me afirmem, muito menos que me neguem. Estou em busca de saber quem eu sou, e para tal, uso de afirmações e negações para saber, justamente, o que jamais serei.
Ou seja, o que pensam.]



[O túnel sem luz no seu fim é como a espera de um amor. É um caminho percorrido sem saber onde terminará, sabendo apenas que ainda está escuro.]


[ Os erros, infelizmente inevitáveis, destroem e maculam a tão sonhada perfeição de uma relação. Quem poderá prever até onde, o estado impecável e os bons modos, serão artificializados pelo início da paixão? Justo e digno, para aqueles que assim acreditam, é superar a fase da realidade e do mostrar sincero de cada um.]
 



[ Existem pessoas que são como cristais, lindas e admiráveis. Quem não as tocar com mãos de veludos poderá quebrá-las. Escolha uma opção, ou se contente apenas em olhar, ou passe a beber em copos de geléia, que são tantas vezes desprezados, mas que podem aguentar severas quedas.]

[ A solidão é o vazio mais cheio de convidados idesejáveis. Entre uma pertubação e um agonizador desespero, a dor da saudade ou o anseio de um convívio temporariamente impossível. Quanto tempo dura uma eternidade? Qual o tamanho do infinito? Tudo o que sei é que ainda não vivi a minha eternidade e nem toquei o meu infinito, e a espera só é mais dolorosa porque ainda não consegui dominar o tempo, para adiantá-lo.]
 


[ Se a boca pode ser um tûmulo, a língua pode ser defunto.]

[ A vida é um palpite que se sugere. Ou se aceita, ou se nega.]

[ Cada segundo tem seu valor de eternidade, e cada um carrega também o valor das estrelas. Viva, realmente, sentindo todos os possíveis segundos, e deixando iluminar-se pelo brilho deles. Não os culpe, não os justifique, tenha-os. Percorra os ponteiros com a delicadeza necessária para minunciá-los, no entanto apresse em senti-los como se fossem os últimos, não pela morte, mas pela ausência.]

[ Fundamentalmente, faz-se importante avaliar quais juízos de valor estão sendo dados a quem está com você. Não se pode construir uma relação com bases fracas. Pelo contrário, deve se fortalecer e o que solidifica o amor é a sinceridade, o respeito, a confiança e acima de tudo o desapego ao engrandecimento do ego. Casal é dois corpos em um, se estiverem separados é porque estão com problemas, deve se lutar para reuni-los, caso não haja esse desejo, caberá perguntar se é correto bater em teclas já tão surradas e batidas.]

[ Um boa companhia faz toda diferença.
Afinal a melhor companhia é aquela que ao invés de te ofuscar, te realça.]

[Todo homem precisa de um mínimo de dignidade pra reconhecer-se como tal. Olhar no espelho só vale a pena quando o reflexo te olha no olho.]

[Em alguns instantes o giro termina e tudo volta ao mesmo lugar, à mesma posição. Depois, torna a girar até que volte novamente. E assim seguimos para o desconhecido.]
 

[Um mestre chamado vida me falou que a felicidade é uma eterna faísca que foi implantada em nós. Em alguns apenas aqueçe como sinal de existência, em outros explode e queima, em mim é tão densa e em larga quantidade que acaba por entrar em erupção.]

[Geralmente é assim. Quando tento escrever, esgoto-me de nada fluir. Porém, quando entrego a mão ao pensamento, vejo transfigurar-se alma independente.]
[Dependendo da sede que se tem, saciar-se em gota dágua é tão mais profundo que mergulhar em um oceano.]

[O que escrevo não é um convite, mas sim uma apresentação do mundo que enxergo ou finjo ver, se conseguires então enxergar da mesma forma, isso fatalmente te convidará a mergulhar também.]

[Minhas variantes formas não me tornam uma pessoa de personalidade distorcida, ou portador de bipolariadade. O fato é que nem sempre eu acordo com o mesmo humor e nem sempre como as mesmas coisas no café da manhã. Eu não fui programado, daí as pessoas criam fórmulas e traços de caráter para mim, e por desejarem me montar, formam um esteriótipo irreal.]

[Me disseram uma vez que, as pessoas entram e saem de nossas vidas em um piscar de olhos, por isso mantive os meus fechados para não ter que perder você. E estando fechados, me deslumbro em ouvir tua voz, tocar teus lábios e sentir a tua presença.]

[Melhor ter somente a lua na noite, do que não poder separ-me da escuridão da minha sombra durante o dia.]

[Acabo por acreditar que somos cegos mesmo. Ou então, nos conformos em enxegar pelos flexes de luz que transpassam à nossa venda. E que o apego ao "não ver" está cada dia mas cômodo aos relaxados. Falta ousadia pra entregar os olhos a luz.]

[No final... a gente de fato aprende a não idealizar pessoas. Cada um é o que é, e portanto cabe a nós escolher os pensamentos afins. Decepção só ocorre quando ostentamos ao outro o lugar de perfeição que não lhe cabe.]

[A cultura e o conhecimento são irresistíveis quando o indivíduo absorve o pluralismo necessário para compreender que a diversidade é indispensável.]

[Isola-te pois no âmago do teu ser, e encontra-te em tua própria natureza. Descobre assim, com verdade e clareza, a fé que te crer.]

[Plenitude, para mim, não é nada mais do que viver plenamente e com suficiente atitude.]

[Sorria e veja suas rugas.. quando elas surgirem em definitivo isso significará que em seu rosto deverá, também, existir sempre um vasto sorriso.]
 


 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SER FELIZ PELA FELICIDADE

Venha hoje ser feliz
Vamos ser feliz agora
Felicidade como sempre quis
Sem se preocupar com a hora

Vamos ser feliz por ser assim
Felicidade sem data marcada
Dia feliz pra você e pra mim
Feliz risada extrapolada

Cuide de ser feliz também
Que ela cuidará de você
Sorria sem ver a quem
E a felicidade vai te ver

Faça o dia de alguém ser alegre
Alegre em todos os dias
Para ser feliz, não espere
E se puder, sorria! Sorriso não fere

A felicidade é de amigos o entorno
De segundo feliz a eternidade
A alegria é sempre o retorno
De ser feliz na simplicidade

Sem se preocupar com a hora
Felicidade como sempre quis
Vamos ser feliz agora
Venha hoje ser feliz

Feliz risada extrapolada
Dia feliz pra você e pra mim
Felicidade sem data marcada
Vamos ser feliz por ser assim

E a felicidade vai te ver
Sorria sem ver a quem
Que ela cuidará de você
Cuide de ser feliz também

E se puder, sorria! Sorriso não fere
Para ser feliz, não espere
Alegre em todos os dias
Faça o dia de alguém ser alegre

De ser feliz na simplicidade
A alegria é sempre o retorno
De segundo feliz a eternidade
A felicidade é de amigos o entorno

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

NÃO


Não adianta cobrar aquilo que não se sabe
Muito menos pisar onde não se tocam os calcanhares
Falar por falar, alimentar o desespero
Nem correr com muita pressa para alívio do desejo
Não adianta devolver ao dono o coração pisado
Querendo consertar o mal feito executado
Dar-se o perdão por auto clamor de piedade
Nem querer ser o dono da verdade
Não somos centros de atenção de uma existência
Para querermos ser perfeitos em excelência
Vivendo tão somente o sumo de nossa essência
Nem deixar de exercitar o dom da paciência
Não adianta culpar os traumas da infância
Como autores de toda a sua ânsia
Dizer toda hora que isso tudo cansa
Nem dar crédito a intolerância
O não pelo não, não é aceitável
O sim pelo sim pode ser o responsável
Mas o não é o inverso do desejável
E o sim, é aceitação do provável.






ESPERA


Finjo para mim fortalezas inexistentes
E acabo acreditando no que minto
De tanto dito e insistente
Adormeço a dor do que sinto
Cego para inexatos clarões
Entre velas e poesias declamadas
Repetindo sempre as mesmas canções
Consolo à alma desamada
Cálices servidos, mesa intocada
Suspiros de muita ansiedade
Aguardo a notícia de sua chegada
No entanto chega apenas a saudade
A decepção bate sempre em minha porta
E o que desejo parece distante
O destino me contraria em sua rota
E me enfrenta a todo instante
Voltando ao cálice, um eu bebi, o outro derramei
As velas, o vento apagou
Do sonho finalmente acordei
E vivi o resto que sobrou

domingo, 15 de janeiro de 2012

AS GAIVOTAS E EU


Eu pensava que conhecia o trajeto das gaivotas,
e ao julgar sua assimetria lhes nomeei tortas.
Confundi-me tanto, que minha visão se perdeu,
era voo tão livre que no céu amanheceu.
Que tolice a minha julgar tal natureza morta!
Foi quando ouvi aquela voz, que de sabedoria exorta:
Pequeno homem te comporta! Tal como tu, elas têm sua própria rota.