Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CONCORDA?


Tentamos fazer das outras pessoas um reflexo de nós mesmos. E quem, em algum momento, por menor que fosse, nunca desejou invadir o coração de outra pessoa, e fazer certos ajustes? Isso é ruim? É egoísmo? Vaidade? Desleaudade? Não! Nada disso. Isso é o desejo que as coisas encaminhem-se da melhor forma. Mas quem tem a melhor forma? Eu? Você? Nós? Dificilmente chegaremos a uma concluão que seja satisfatória a todos, mas continuemos a buscar, a tentar. Quem sabe um dia, entre tantas vontades, desejo de mudanças e adaptações, a gente se esbarre com quem amamos, em uma dessas esquinas tortas do coração.

 

RUPTURA


Fomos acordados brutalmente de nosso sonho. Estávamos seduzidos, encantados, deitados em uma rede vermelha com varanda de renda branca. O vento refrescava, nossos braços proporcionavam aquecimento mútuo, então mantinhamos o clima perfeito. Não me importa, pelo menos não mais, quem foi que nos acordou para essa realidade farsada. Importa-me sim, que eu, nem que seja nos resquícios de minha última força, ignore os invejosos e inecrupulosos, e volte a sonhar. Para tanto, é fácil, ousado, mas plenamente possível, basta não ter medo da rede e voltarmos a dormir juntos.
 


 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

PARA MATAR-ME


Começe beijando minha nuca, enquanto suas mãos delineiam meus ombros. Deixe sua respiração tocar levemente meus poros, e assim, submeta meus pêlos a ficarem na posição vertical. Diga-me meia dúzia de ilusões, a qual eu julgue verdade pelo menos por um segundo. Depois, espalhe meu cabelo com suas unhas, e venha percorrendo até chegar ao meu rosto. Quando estivermos com os olhos se enfrentando, conduza sua língua ao redor da boca, e então me embriague, motivando-me a fechar os olhos. Quando isso ocorrer, tire-me do chão, envenene-me com seu beijo e me deixe sentir o prazer de morrer em seus braços.