Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








segunda-feira, 27 de agosto de 2012

PRECIPÍCIO



Ousei em pisar no último pedaço de chão
Abaixei a cabeça e olhei para a profundidade sem fim
Desequilibrei meio passo na amplidão
E logo recuei para mais perto de mim
É questão de escolha resolver saltar
Em meio ao nada profundo
Fechar os olhos e então voar
Ganhar, pelo menos uma vez, o mundo
Deixar o vento, ao cabelo, rasgar
Sentindo toda liberdade do pulo
Com o corpo mais leve, o plumar
Livrar-se, desse preso casulo
Sem amarras e nenhuma demora
Gozar de livre queda
Amenizando o peito que chora
A dor do silêncio que herda
Para os beirantes do amor
O último passo será, então, o início
Para o alívio da dor
Em queda no precipício.

 

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