AZUL MARINA
Era aproximadamente meio dia, à sombra de um refrescante pé
de ficus e afagada pela brisa do atlântico, observava o céu aberto, sem nenhuma
nuvem, beijando o mar, compondo um exuberante cortinado. Leves brumas
enfeitando o caminho, e ao longe, crianças correndo com seus atenciosos pais.
O
conhecido verde mar, migrara para um turquesa azul, e como um espelho, refletia
a ofuscante luz do sol que lhe batia. Fiquei por muito tempo observando todo
aquele movimento, do vento nas plantas, dos risos das pessoas, e dos fartos e
descontraídos momentos de alegria. Lembrou-me uma sinfonia, cada um com seu
som, sua forma, sua peculiaridade.
Estava
no passeio público, e fui invadida por uma sensação de liberdade,
despreocupação e nada a fazer. Clima perfeito para apaixonados, amigos e
poetas.
Falando
em apaixonados... Admiro os apaixonados! Aqueles que curtem estar apaixonados
sejam, por outro alguém ou por alguma coisa, um sonho, uma possível aquisição.
Paixão é intensidade, adrenalina, aventura. Não a julgo ruim, apenas
passageira. No entanto, às vezes é porta de entrada para outros sentimentos
como o amor e amizade, por exemplo.
Paixão
é como chama, e nós, somos como velas possuidoras de uma essência que é o
pavio, que nos percorre. A chama na vela acesa pode durar até o fim, mas basta
um assopro para a chama apagar. Assim também é a paixão. Tão imprevisível,
inesperada, imprudente.
Não sou
guru, muito menos mentora, mas gosto de dar conselhos e ao contrário do que
dizem, podem ser muito bons. Bom é curtir sua paixão, ou suas paixões. Viver o momento
mágico de estar apaixonado, aquele que a gente perde a vontade de comer, ri da
própria queda, dá bom dia a desconhecidos e vive no mundo da lua. Sabe aquele
momento que você fica se balançando na rede, lembrando-se daquela pessoa e
pedindo para o relógio correr? É o auge da paixão. E referente a ela, não se
pode medir o tempo e a intensidade, mas pode-se viver e saber tudo no final. Então
vamos assumir nossas paixões, sem cobrar que sejam eternas. Pois não serão, a
não ser em nossa memória.
Muitos
dizem que estão em busca apenas de amor, que acham a paixão algo banal. Que
tolos! Provavelmente já se apaixonaram umas vinte vezes e não se dão conta, ou
não se permitem. Não digo que alguém que viva apenas de paixão, seja uma pessoa
completa, porém quem muito se apaixona, muito se conhece, e descobre as coisas
que a agradam e as personalidades que a atraem.
Não
aparente alguém diferente do que almejas ser, entrando em lugares, não olhe se
não quiseres ver. Não se apresse, ao contrário, sossega teu ímpeto medo e
guarda a força da tua minúcia, revela as paixões que desejas e grita ao mundo a
tua denúncia.
Acredito
no amor como sentimento mais forte e real que existe. O amor é transformador de
cenários, é como vento no deserto que modela as paisagens áridas, às vezes
refresca e alivia, outras vezes invade como tempestades de areia. Nunca é
desprezível, mesmo em situações adversas. Deve ser compreendido e delineado
sabiamente por aqueles que verdadeiramente o possuem.
O amor
é prova da supremacia e da ordem de natureza superior. Quebra-cabeças colorido
com peças difíceis de montar. Precisamos entendê-lo e principalmente senti-lo.
Não pode ser frustrado jamais, pois como mola, a vida o impulsionará novamente,
mais cedo, ou mais tarde. Respeite o amor seu e do outro, afinal o do outro
pode ser para com você.
A
sombra do pé de fícus já se afastara um pouco, e o calor do sol já podia ser
sentido mais fortemente. Entre os feixes de luz e giros de pensamentos, vi um
casal de aproximadamente vinte anos sentados em um banco, distantes de mim uns
dez metros.
Mesmo
ao longe, prendi-me ao detalhe dos dedos entrelaçados que uniam as palmas das
mãos, junto a isso, simetricamente trocavam olhares cheios de vontade e de
presença. Não falavam muito um com o outro. Talvez estivessem tímidos por ser
algo novo, ou então estavam se redescobrindo. Continuei a olhar mais alguns
segundos e me desviei para as borboletas que pousaram perto deles, e ali
ficaram imóveis durante muito tempo.
Na vida
de todo casal existem borboletas leves e delicadas. Essas borboletas são aquelas
pessoas que são como ombros e ouvidos, presentes na pior das ausências. Cuide
delas e zele pela beleza da sua existência. Quando estiver enfeitiçado e no
mundo da lua, pela maravilha dos beijos e carícias, não se esqueça das
borboletas. Não as prendam em cúpulas indestrutíveis, e nem as visite apenas na
dor. Assim como borboletas, essas pessoas são lindas, encantadoras, e são
ainda, sensíveis e delicadas.
Cultive
o jardim da amizade, mesmo quando o amor e a paixão estiverem às mil
maravilhas, e curta ao máximo suas borboletas, passei com elas, deixe-as pousar
livremente em sua vida e ofereça colo. Desta forma, a felicidade te encontrará
mais brevemente.
Durante
todo o tempo que estive ali, a cena das borboletas imóveis e próximas ao
exuberante casal, foi sem dúvidas o que mais me inquietou. As reflexões
provocadas em mim foram tão envolventes que nem percebi o tempo passar.
Desejei
congelar aquele instante e mergulhar no mais profundo espiral de minha mente, no
entanto o sol já estava muito aquecido, foi hora de se despedir e aguardar o que
ainda iria vir, e por hora, fiquei com o azul das borboletas que voaram até a
mim.


Muito massa, cara!
ResponderExcluirValeu Dudu, obrigado pela visita!
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