E esse tempo que já faz tanto tempo, mas que não sai de mim, e me passeia vagarosamente. Tempo incompressível de tamanha força e volúpia, que vai tomando meu entorno, me levitando, tirando-me de solo firme, e me deixando solto como balão sem rumo.
E vejo a palma da mão acenar um tímido adeus, enquanto a imagem, antes próxima, pouco a pouco ganha pequinês, pelo distanciamento dos nossos corpos desamarrados. Nisto, a nitidez da tua aparência vai perdendo a forma do cotorno visível, mas teus olhos não! Esses permanecem vivos, e são como janelas abertas, com flores no parapeito, e paisagem vasta.
O vento vai me tirando o domínio, enfraquecendo-me pela ausência de chão, o mesmo que tu pisas e imprimes teus delicados pés em terra molhada. Que saudade de terra! Por sobre ela andávamos descalços, chutando o nada, de risos frouxos e mãos dadas.
Éramos tão incríveis! Tão maliciosos e cheios de manias engraçadas. Nosso jeito era meio maroto, meio moleque, meio louco. Mas esse meio não era metade, era inteiro todo.

























