Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CAVALOS BRANCOS




E esse tempo que já faz tanto tempo, mas que não sai de mim, e me passeia vagarosamente. Tempo incompressível de tamanha força e volúpia, que vai tomando meu entorno, me levitando, tirando-me de solo firme, e me deixando solto como balão sem rumo.
E vejo a palma da mão acenar um tímido adeus, enquanto a imagem, antes próxima, pouco a pouco ganha pequinês, pelo distanciamento dos nossos corpos desamarrados. Nisto, a nitidez da tua aparência vai perdendo a forma do cotorno visível, mas teus olhos não! Esses permanecem vivos, e são como janelas abertas, com flores no parapeito, e paisagem vasta.
O vento vai me tirando o domínio, enfraquecendo-me pela ausência de chão, o mesmo que tu pisas e imprimes teus delicados pés em terra molhada. Que saudade de terra! Por sobre ela andávamos descalços, chutando o nada, de risos frouxos e mãos dadas.
Éramos tão incríveis! Tão maliciosos e cheios de manias engraçadas. Nosso jeito era meio maroto, meio moleque, meio louco. Mas esse meio não era metade, era inteiro todo. 



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

VIM-TE E SIM COR- 25


Vir e bagunçar seu ingênuo colorir.
Mecher as aquarelas, espalhar as cores de si.
Balançar tua estrutura, desfazer a cara dura.
Quem diria, né pobre moço? Que haveria tanta carne em singelo osso!
E que por entre a tua penumbra, irradiaria luz sob a tumba.
Vir e revir.
Expelir cheiro de pele rosada e extrair perfume em flor esmagada.
Parar nas estações de seus cabelos, deixando perder-se no excitar de seus pêlos.
Assim, o que vens a ter? Dor relutante de doer!
Vim-te e sinto!
E digo meias verdades, e às vezes minto.
Embriago no branco, me banho no tinto.
Que turva imagem tua que repinto.
Que saudoso vinte e cinco!


domingo, 6 de outubro de 2013

TALVEZ


Talvez o amor tenha rolado as escadas, degrau por degrau, ganhando velocidade, e por fim saltou a vidraça, deixando apenas estilhaços e a janela para consertar.


TRANSEUNTE DE SI


Talvez a procura esteja equivocada. Os bares, esquinas e avenidas, te percebem passar tantas vezes, mas nunca simultânea a mim. Não é tão legal ver a garrafa suar, enquanto, frenéticamente, encho e esvazio o copo, sozinho. Os papéis improvisados, riscados à caneta emprestada, materializam formas febris de pensamento - ou pelo menos o tenta fazer. Que lindo tolo sois! Digo-me no exausto de minha paciência. Embriaga-me bem mais a ausência do corpo sólido do que a imersão do escape líquido. Veneração do que se espera e profanação do que de real se tem. Os passos em si, são mais largos do que em outr'alguém, e mais profundos, diria. Sorria! O espelho agora te devora, e as poucas moedas no bolso, antes de partir, anunciam a tua volta. Contudo, sem antes esquecer, que mais levas do que deixas.


ELIÔNICO


Eu viajo em girassóis, nos teus olhos que giram sóis. Pois não sois sós quando, em girassóis, giram ofuscante sóis. Prende, ilumina e corrói, esses teus olhos sobre nós. Olhos emanados na nascente, percorridos em afluentes, explodidos na foz


ÓTICA


Haveria, sem dúvidas, inúmeras formas de ver o mundo.  Dentre todas, se por erro do destino roubasses meus olhos e te olhasses, verias da forma mais bela


terça-feira, 17 de setembro de 2013

SINESTESIA






Existem o claro, o escuro, e o translúcido. Consciente, inconsciente e o subconsciente. Existe o nítido, o opaco e turvo. Existem níveis de tudo, níveis de nada, e de quase tudo. Aliás, existem coisas, inexistem e sub existem. O que eu sou, o que nunca serei e o que imagino ser. Ótica direta, indireta e reversa. Calmaria, inquietação, pressa.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

VERANEIO

Ventos frescos, brisas leves. Quantas rogadas sao as preces? Janela de madeira aberta, ladeira de calçamento infindo. Braços debruçados no parapeito de cimento. Passo e seu olhar sempre tento. Amor que não minto. Bela donzela, vestida que bela! Cair da noite e luzeiro aceso, sabes o quão sou prisioneiro. Cidade de meia altura, paixao inquienta que me pendura. Por ti tudo, só tudo faria. Vem embalar se comigo, minha doce maria.



segunda-feira, 29 de julho de 2013

INÉRCIA



O que é mais alto do que um olhar de esperança?
Tem algo mais profundo que um precipício de desilusão?
Saudade sufoca bem mais, mágoa afoga mais intensamente;
Jardins suspensos são olhos que pendem, cachoeiras são lágrimas incessantes.

Quais os caminhos que os loucos percorrem?
Onde são as armadilhas dos sãos?
Grito de peito é sirene que ecoa, testa franzida é a força que recua;
Sono profundo é medo opaco, silêncio agudo é ar respirado.

Tantas palavras, nenhuma palavra
Algum desejo, contidos os freios
Aparência rasa.

Rotas provisórias, traços medrosos
Rotas, portas, mortas
Invejosos.





VÔO



Se cartas voassem e planassem sobre tais pensamentos, diriam delírios, viveriam extraordinários personagens e romperiam a lei do silêncio memorial.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

ÍNTIMO


Madrugada desertificada de pensamentos involuntários, de saudade que entontece e de palpitações que afligem. Doce silêncio que provoca gritos internos, e que destempera os desejos de explodir-se, para depois, solitariamente, catar-se os cacos de um ego ferido e de uma alma abandonada. São assim, as madrugadas daqueles que amam e não podem ser amados.


O DIA DA SUA MORTE



Depois de debruçar-me sequenciadas vezes sobre a minha aguda dor, no intuito fálido de abafar o grito que ela externava, arregalei os olhos vermelhos em fogo de chorar, apanhei o lenço branco enxarcado, caído ao pés, e juntei vagarosamente, uma a uma, todas as fotografias torturadoras, que outrora arrancara de mim tantas alegrias e risos excitantes. Esquentei
água para fazer um café forte, preto, amargo, para manter-me acordado, se possível pro resto da vida, pois dormir tornara-se um pesadelo de memórias inquietas, que açoitavam, apunhalavam, e sangravam as feridas abertas. Tomando o café, arquitetei, por diversas vezes, planos, projetos e armadilhas. Tudo vão! Tudo inútil. O telefone ao lado, intacto, imóvel, não respondia a nenhum dos meus estímulos sentimentais. Chuva batia no telhado. Os quadros ao redor, ficaram desfigurados, e a cama, que antes era pequena, agora, tomara proporções continentais, aumentando e acentuando o vazio que existia ali. Dois travesseiros, dois pares de sonho, dois caminhos, dois projetos. Um só adeus e luto. DESCANSE EM PAZ MEU AMOR!



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

CERTOS ENTRAVES



O meu maior medo é de perceber que eu fui enganado pelo meu próprio coração, e que isso pode ter consequências desastrosas. Lutar contra o outro é fácil, difícil mesmo é quando seu maior inimigo é o que explode dentro do peito.

 

DESTINO

Dai-me por favor, meu querido destino, um pouco de premonição. E desta forma, mesmo um tanto rebelde, ensina-me a contenção e como pisar nos freios da língua.
Direcione a rotação dos meus olhos, e cumpra sobre mim tua honrosa missão.
Seja mais meu amigo. Não caminhe em direção contrária ou em confronto, leva-me subliminarmente em teu colo.
Que tal gozarmos de mais aproveitamento, e cuspirmos menos perdas? Entala-me, apenas, de línguas envasivas, e não de lágrimas ao ponto de saltar os olhos.
Mandas ao meu encontro, alguém que desequilibre todos os meus eixos, e que molhe minha boca. Diga o quanto tenho e o quanto sou, mas principalmente, o quanto deixo de ser, quando sinto-me só.
Quero ser um salto, e que tu destino, seja o espaço, invisível, ocupante, existente.
Seja meu mentor, meu caminho, mas não seja eu. És tu, o que não dependes, mas o que prendes.

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

SUBSTANCIALMENTE




Que o peito aprisiona, isso todo mundo já sabe. Que as fagulhas de um amor mal vivido tornam a
queimar a cada segundo desprovido, muitos já experimentaram. O que torna a acontecer, nada mais é do que o reflexo de experimentações deixadas incompletas, abertas, inacabadas. Aliás, eu sinceramente não saberia afirmar de toda precisão, se elas poderiam ter sido finalizadas, pois de todas as minhas convicções, a mais forte é acreditar em um mundo de pausas e não de deletes.