Depois de debruçar-me sequenciadas vezes sobre a minha aguda dor, no intuito fálido de abafar o grito que ela externava, arregalei os olhos vermelhos em fogo de chorar, apanhei o lenço branco enxarcado, caído ao pés, e juntei vagarosamente, uma a uma, todas as fotografias torturadoras, que outrora arrancara de mim tantas alegrias e risos excitantes. Esquentei água para fazer um café forte, preto, amargo, para manter-me acordado, se possível pro resto da vida, pois dormir tornara-se um pesadelo de memórias inquietas, que açoitavam, apunhalavam, e sangravam as feridas abertas. Tomando o café, arquitetei, por diversas vezes, planos, projetos e armadilhas. Tudo vão! Tudo inútil. O telefone ao lado, intacto, imóvel, não respondia a nenhum dos meus estímulos sentimentais. Chuva batia no telhado. Os quadros ao redor, ficaram desfigurados, e a cama, que antes era pequena, agora, tomara proporções continentais, aumentando e acentuando o vazio que existia ali. Dois travesseiros, dois pares de sonho, dois caminhos, dois projetos. Um só adeus e luto.
DESCANSE EM PAZ MEU AMOR!


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