Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








terça-feira, 31 de julho de 2012

CARTA IV- FIM DE TARDE


AZUL MARINA


− Levanta bem alto e segura na ponta!
− Assim tá bom?
− Tá! Agora espera o vento vir. Quando eu gritar tu solta, certo?
− Certo
− Lá vem. Solta vai!

...

                Fim de tarde é a hora que os garotos ganham as ruas de bairro e aproveitam para extravasar toda a energia que eles possuem. É hora de a agulha embolar-se para formar o crochê das senhoras que ficam sentadas no lado da sombra, jogando conversa fora com assuntos descompromissados, rotineiros. Mais á frente ficam os senhores, formando um quadrado, com uma tábua sustentada pelas pernas para dar base ao velho jogo de dominó.

                O vento fresco do fim da tarde reúne toda a vizinhança nas calçadas, uns com preguiçosa, alguns em banquetas plásticas, e outros sentados naqueles bancos feitos de cimento, recostados sobre a parede.  Bolinhas de sabão estouram ao tocar os fios de energia, e o chão, em baixo do pé de jambo, fica rosado das flores que caem. Meninos malinos, riscam o asfalto com pedaços de gesso, fazendo dele, um painel de imaginação. 

                À tardinha, sempre tem crianças banhadas e bem vestidas, sentadinhas e entretidas com a magia de seus brinquedos, olhando seus irmãos um pouco maiores, se esgoelarem, enquanto correm loucamente de pés descalços, brincando de sete pecados, ou ficam paralisados, aguardando alguém tocar-lhe no joão a cola.

                Meio retraídos, ao canto, ficam os adolescentes de doze e treze anos, tímidos.  Os meninos trocam olhares com as meninas, e vice versa. É época de empurrar o amigo em cima de quem ele gosta e deixar o coitado todo errado, desconcertado.  E para completar tem sempre alguém que revela o grande segredo, e conta pra pessoa que se está apaixonado. Hora de negar até a morte. Beleza da inocência.

...

− Soltei! Agora corre, corre!
− Tô correndo, mas não ta subindo.
− Da mais linha que sobe.
− Não tá subindo, o vento tá fraco.
− Enrola o carretel, a gente tenta de novo.

...

                Cada passo que damos na estrada da vida, além de deixarmos nossas pegadas, levamos ainda, um pouco de areia nos pés. Essas areias são fragmentos, momentos e decisões escolhidas, consciente ou inconscientemente. Formam bases de reconstrução de nossos conceitos e nos permite fazer uma análise rápida, involuntária e fotográfica, como se pudéssemos, ás vezes sem querer, voltar ao exato momento da lembrança, passeando pelo tempo da memória.

                As nossas memórias não são apenas próximas ou remotas, são também cicatrizes, que fincam nossa história. Elas nos norteiam em decisões a serem tomadas, ou nos massacra com culpas e acusações.

                Cada um carrega consigo uma bagagem, que pode ser tão leve como uma pluma, ou tão pesada como um fardo. São cargas de emoções, ressentimentos, lágrimas e sorrisos. Pessoas que entraram, saíram, ou permaneceram em sua vida, e mais além, pessoas ao qual nunca se conheceu, mas que foram projetadas pelo instinto do desejo não visto em outro alguém.

                Culpas e massacres da alma, aliados a falta de auto perdão e travas de traumas e medos, formam uma linha áspera e pontiaguda que, além de ferir, encarcera e aprisiona os aflitos que delas possuem. São causadores de desordem mental e desequilíbrio emocional. Levam pouco a pouco, e sorrateiramente, a sintomas depressivos e a máculas sentimentais. Não podemos deixar-nos ser algemados pela nossa culpa, e pelo fracasso. Somos humanos e devemos nos reconhecer como falhos, porém capazes de reconstruir sistemas, quantas vezes forem necessárias.

                Se de um emprego fora demitido, ou de um relacionamento abandonado, deve se sentir a dor desta perda, mas não viver em função dela. É natural que se lamente e se cobre, a princípio, mas é necessário deixar para trás, aquilo ao qual ao passado pertence, e assim, seguir com toda a experiência que a perda te trouxe.

                A dor de sepultar velhos sentimentos e antigos apegos, bem como a responsabilidade sobre algo que não deu certo, é feroz e insuportável, porém não se pode tentar ressuscitar defuntos, nem ao pouco enterrar-se com eles. Aprenda a saudar com adeus e deixar que o que se foi, se vá livre, e livre permaneça você também, pela força da decisão de deixar ir. O que morre, parte para outro nível, e abre espaço para a chegada do que nasce.

                Deve ser um exercício diário, a análise profunda de sua vida e suas decisões, não para culpá-las ou justificá-las, mas para entender quais foram os pilares escolhidos na sustentação daquele caminho. E revendo suas escolhas, extraia o sumo delas, conservando as boas, descartando as ruins, melhorando e crescendo.

...

− Segura direito!
− Pode deixar. Presta atenção pra dessa vez dá certo.
− Quando eu gritar tu solta.
- Tá.
− Tá vindo, tá vindo! Solta vai!
− Corre! Corre! Tá subindo, continua vai. Dá mais linha!
− Uhuuuuuu! Subiu!
−Eita, tá bem altona! Deixa eu dá um lanceio?

...

                Para chegarmos aos nossos objetivos, precisamos de estratégias, e acima de tudo persistência para alcança-los. Não podemos desistir na primeira frustração, pois acredite, o vento da vida vai derrubar várias vezes a pipa dos teus sonhos, e nem por isso você deve desistir de colocar ela no ar, livre, exuberante, bela.

                Lembre-se que você tem uma pipa e um carretel de linha nas mãos. A pipa é tudo o quanto você deseja, acredita e espera, remete aos teus pensamentos, conceitos e ideais. O carretel é a possibilidade de distância que você pode dar, é o controle de intensidade que você tem. A pipa e a linha estão aí! Mas não se solta pipa dentro de casa. É fim de tarde e o vento saudoso te espera lá fora para você arriscar soltar a pipa. E ela só irá subir se você tirar o peso das pedras que podem estar amarradas a ela, deixe-a leve, sublime, e delicada.

                Junte-se aos garotos na rua, no fim de tarde. De pés descalços mesmo, sentindo o chão que pisa, e correndo por todos os lados. Divirta-se sem pudor, ou preconceitos.  Tente quantas vezes forem necessárias, mas só volte para casa, quando tiver contemplado a pipa no ar, se perdendo bem pequenininha no imenso quadro azul chamado céu.
                Quando você se der conta do quanto foi bom viver esta experiência, libertando-se de pesos altamente desnecessários, o sol já terá ido embora, e o cenário terá sido modificado, afinal, será início de noite, as luzes dos postes estarão acesas, e o ritmo da cidade, desacelerado. Então você se reconhecerá novamente, reunirá o desfrute de momentos de pura libertação pessoal, e receberá a noite de uma forma diferente, mas aí já é outra história, que você brevemente descobrirá.

terça-feira, 24 de julho de 2012

CARTA III- MEIO-DIA

 AZUL MARINA



               Era aproximadamente meio dia, à sombra de um refrescante pé de ficus e afagada pela brisa do atlântico, observava o céu aberto, sem nenhuma nuvem, beijando o mar, compondo um exuberante cortinado. Leves brumas enfeitando o caminho, e ao longe, crianças correndo com seus atenciosos pais.

                O conhecido verde mar, migrara para um turquesa azul, e como um espelho, refletia a ofuscante luz do sol que lhe batia. Fiquei por muito tempo observando todo aquele movimento, do vento nas plantas, dos risos das pessoas, e dos fartos e descontraídos momentos de alegria. Lembrou-me uma sinfonia, cada um com seu som, sua forma, sua peculiaridade.

                Estava no passeio público, e fui invadida por uma sensação de liberdade, despreocupação e nada a fazer. Clima perfeito para apaixonados, amigos e poetas.

                Falando em apaixonados... Admiro os apaixonados! Aqueles que curtem estar apaixonados sejam, por outro alguém ou por alguma coisa, um sonho, uma possível aquisição. Paixão é intensidade, adrenalina, aventura. Não a julgo ruim, apenas passageira. No entanto, às vezes é porta de entrada para outros sentimentos como o amor e amizade, por exemplo.

                Paixão é como chama, e nós, somos como velas possuidoras de uma essência que é o pavio, que nos percorre. A chama na vela acesa pode durar até o fim, mas basta um assopro para a chama apagar. Assim também é a paixão. Tão imprevisível, inesperada, imprudente.

                Não sou guru, muito menos mentora, mas gosto de dar conselhos e ao contrário do que dizem, podem ser muito bons. Bom é curtir sua paixão, ou suas paixões. Viver o momento mágico de estar apaixonado, aquele que a gente perde a vontade de comer, ri da própria queda, dá bom dia a desconhecidos e vive no mundo da lua. Sabe aquele momento que você fica se balançando na rede, lembrando-se daquela pessoa e pedindo para o relógio correr? É o auge da paixão. E referente a ela, não se pode medir o tempo e a intensidade, mas pode-se viver e saber tudo no final. Então vamos assumir nossas paixões, sem cobrar que sejam eternas. Pois não serão, a não ser em nossa memória.

                Muitos dizem que estão em busca apenas de amor, que acham a paixão algo banal. Que tolos! Provavelmente já se apaixonaram umas vinte vezes e não se dão conta, ou não se permitem. Não digo que alguém que viva apenas de paixão, seja uma pessoa completa, porém quem muito se apaixona, muito se conhece, e descobre as coisas que a agradam e as personalidades que a atraem.

                Não aparente alguém diferente do que almejas ser, entrando em lugares, não olhe se não quiseres ver. Não se apresse, ao contrário, sossega teu ímpeto medo e guarda a força da tua minúcia, revela as paixões que desejas e grita ao mundo a tua denúncia.

                Acredito no amor como sentimento mais forte e real que existe. O amor é transformador de cenários, é como vento no deserto que modela as paisagens áridas, às vezes refresca e alivia, outras vezes invade como tempestades de areia. Nunca é desprezível, mesmo em situações adversas. Deve ser compreendido e delineado sabiamente por aqueles que verdadeiramente o possuem.

                O amor é prova da supremacia e da ordem de natureza superior. Quebra-cabeças colorido com peças difíceis de montar. Precisamos entendê-lo e principalmente senti-lo. Não pode ser frustrado jamais, pois como mola, a vida o impulsionará novamente, mais cedo, ou mais tarde. Respeite o amor seu e do outro, afinal o do outro pode ser para com você.

                A sombra do pé de fícus já se afastara um pouco, e o calor do sol já podia ser sentido mais fortemente. Entre os feixes de luz e giros de pensamentos, vi um casal de aproximadamente vinte anos sentados em um banco, distantes de mim uns dez metros.

                Mesmo ao longe, prendi-me ao detalhe dos dedos entrelaçados que uniam as palmas das mãos, junto a isso, simetricamente trocavam olhares cheios de vontade e de presença. Não falavam muito um com o outro. Talvez estivessem tímidos por ser algo novo, ou então estavam se redescobrindo. Continuei a olhar mais alguns segundos e me desviei para as borboletas que pousaram perto deles, e ali ficaram imóveis durante muito tempo.

                Na vida de todo casal existem borboletas leves e delicadas. Essas borboletas são aquelas pessoas que são como ombros e ouvidos, presentes na pior das ausências. Cuide delas e zele pela beleza da sua existência. Quando estiver enfeitiçado e no mundo da lua, pela maravilha dos beijos e carícias, não se esqueça das borboletas. Não as prendam em cúpulas indestrutíveis, e nem as visite apenas na dor. Assim como borboletas, essas pessoas são lindas, encantadoras, e são ainda, sensíveis e delicadas.

                Cultive o jardim da amizade, mesmo quando o amor e a paixão estiverem às mil maravilhas, e curta ao máximo suas borboletas, passei com elas, deixe-as pousar livremente em sua vida e ofereça colo. Desta forma, a felicidade te encontrará mais brevemente.

                Durante todo o tempo que estive ali, a cena das borboletas imóveis e próximas ao exuberante casal, foi sem dúvidas o que mais me inquietou. As reflexões provocadas em mim foram tão envolventes que nem percebi o tempo passar.

                Desejei congelar aquele instante e mergulhar no mais profundo espiral de minha mente, no entanto o sol já estava muito aquecido, foi hora de se despedir e aguardar o que ainda iria vir, e por hora, fiquei com o azul das borboletas que voaram até a mim.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CARTA II- AMANHECER

AZUL MARINA

Paradoxalmente, o exato momento em  que a noite é mais escura, é intantes antes de o dia amanhecer.  É uma sádica proposta do universo para não esquecermos o quanto é tênue a fronteira que limita os opostos.  São assim, também, os sentimentos. Por isto entre o ódio e o amor há um sutil encontro, e  basta um passo para invadir o terreno do outro e ser clandestino.

Não esperei nem o galo cantar pela segunda vez, levantei apressadamente, e antes de qualquer coisa, corri para o quintal e respirei intensamente o restante de orvalho que a noite deixou. Curiosamente, o céu estava saudoso com um azul alaranjado, entre nuances de cores formou-se um espectro, e por ele, os raios de sol envenenavam o convidativo azul da manhã.

Gozei aqueles raros instantes de silêncio profundo, de ruas vazias e televisores desligados. Foram alguns eternos segundos de interação com a beleza do amanhecer. E como é linda a manhã antes de ser desvirginada pelas estridentes buzinas, levantar de portas, passos contados e ponteiros apressados.

Tornamo-nos prisioneiros do tempo, do calendário, das urgências e dos inadiáveis compromissos com os paletós que nos aguardam atrás da mesa. Sem falar nas transações bancárias e a aferição da bolsa de valores pelo mundo. Isso é tão emergencial! Olhar as sutilezas exuberantes de um lindo nascer do sol pode esperar, afinal, o sol está ali todos os dias, correto? Corretíssimo! O que inevitavelmente ocorrerá, é a chegada, de um dia em que tudo estará lá, realmente tudo! Menos você! E sem você, acredite, a reunião acontecerá, a campanha será lançada, o projeto concluído e as manhãs nasceram outra vez.

O azul da manhã é um convite para o novo, para o renascimento das atitudes e posturas, diante de um mundo que insiste em beirar o caos, desfrutar do equilíbrio que te conduz a elevação. Não se trata de um ritual, nascer com as manhãs de uma forma diferente é uma questão de escolha e decisão. Nenhum dia é, ou será igual a outro, portanto, é um chamado para modificarmos as nossas tão tradicionais e moldadas ideias.

Quisera eu, poder beirar as taças cheias e escolher beber ou não, sem ser afrontada pela minha decisão, ou posta sufocada sobre uma parede, por falsos e hipócritas moralistas, que teimam em apresentar suas politicamente mentirosas corretas atitudes. Os retoques que fazem na imagem, não expurgam os sepulcros de suas sujas mentes, e não os purificam de seus pensamentos malignos quando tocam os lábios sobre os rostos, em menção de cumprimento.

O nascer do dia é perfeitamente belo, e enquanto eles dormem, o azul exalta a beleza do ser, e o desapego ao ter.  

Volto-me, sem assim desejar, para o já mais quente céu, e de longe escuto os primeiros choros das crianças que, desconfortadas, acordaram para cumprir suas iniciais missões de cidadão, e ir para escola aprender a fazer diferença de tudo e todos.

                Fujo das crianças e sinto o cheiro forte do café invadir sem licença alguma, minhas narinas. Cachorros latem famintos, e mais famintos, ainda, acordam os homens. Famintos de uma verdade que não encontram, de um prazer infindo, de uma companhia plena, de uma realização que nunca chega.  Com o amanhecer, os homens nascem para o mundo, mas não nascem para si. Perdem todos os dias, no desejo de dias melhores. E o incessante azul convida-os para mais uma vez encontrar suas essências. Que teimoso azul!  E mais teimoso ainda, é o homem que o vulgarizou, e o tornou banal quando, aos seus olhos, apresentou falsas e passageiras ilusões.


terça-feira, 10 de julho de 2012

CARTA I- MADRUGADA

AZUL MARINA

         Não sei quantas vezes pisquei os olhos, antes de reparar aquela pequena brecha nas telhas, e por ela, as estrelas, destacadas no escuro azul, ostentadas pelo envolvimento da noite. Em azul intenso, fechado e atraente. Não foi a primeira vez que eu olhei o céu de uma forma diferente. Pelo contrário, sempre o  namoro  e envolvo-me pela sedução dos seus mistérios, igualmente ao mar que é tão profundo e que me faz ficar horas e horas tentando desvendá-lo.
         Adoro a energia de observar certas coisas, e a minha obsessão pelo azul não é em vão, pois o azul é a cor mais presente no universo, teima em unir o céu e o mar, dois gigantes que me impulsionam a pensar, e muito mais, raciocinar.
Fitei por alguns instantes aquele pequeno orifício, que trazia até os meus olhos o universo, e em meio a minha distração e insonia, inevitavelmente, começei a  viajar em meu mais louco pensamento, revelando segredos.

         A verdade é que isso, provavelmente, também já lhe ocorreu. Tente lembrar! Quantas vezes estamos deitados, pronto para entregar-nos ao sono e a desconexão com a consciência, no entanto, nada disso vem. Em seu lugar, um filme desordenado de memórias e reavaliações, conceitos e valores circundando o que fizemos ou poderíamos  ter feito.

         É exatamente nessa hora, quando as luzes se apagam, os homens dormem e a cabeça recorre  ao travesseiro, que conseguimos o feito mais impressionante: sair do corpo e se olhar de fora, ser externo as limitações corpóreas. Como assim? Simples! Relembramos tudo, como se fossemos um olhar terceiro, indiscreto, detentor de si.

         Quando tomamos consciência disso, assumimos a honrosa posição de deuses do nosso recente passado, aquele que acontecera horas atrás, formado pelas palavras engolidas, encontros desmarcados, afronta ignorada, conteúdo não estudado, excesso peso levantado, poema não declamado, topada levada.
        Antes de dormir somos arquitetos do amanhã e do porvir. Somos exímios estudiosos, esportistas dedicados, religiosos impecáveis, e é claro, praticantes de uma vida saudável. Lamentavelmente, somos tudo isso somente até o sol nascer, e no mais íntimo do nosso esforço adormecido. Sabe quem é o primeiro a nos afirmar isso? O despertador! O maldito despertador que teima em expandir sua irritante sirene, atrapalhando nossa libernação. E advinha só, quem, ainda de olhos fechados o faz parar?

         O que destrói os nossos grandes projetos é o sono profundo e excitante, de descaso com nós mesmos e nossos desejos. Infelizmente, a capa, o escudo e o emblema de heróis, parimos na noite, antes de dormir, e sepultamos pela manhã, após acordar. Tornamos a engolir tudo o que,  à noite, juramos no dia seguinte provocar.

         E me volto as estrelas. Que linda são as estrelas! Brilhando tão distante, alcançando a mim. No quarto escuro, sem sono, presos entre quatro paredes, o mundo torna-se tão achatado. Mas as estrelas ainda estão penduradas no imenso azul.

         Se você encontra-se cada vez mais encurralado por invisíveis barreiras, como se estivesse sozinho em meio a multidão, você pode estar prestes a cair em um sono profundo. Antes que isso aconteça,  olhe fixamente para cima, para a brecha no telhado, e acredite que o mundo é bem maior, do que naquele momento,  se pode imaginar.








          E se assim como eu, sentir o sono chegando, durma então. Mas se possível não prometa nada, deixe os olhos fecharem, enquanto o azul se vai.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

SUBLIME IMAGEM



Achei o brilho do teu olhar ofuscando
A visão dos homens invejosos
Nos teus seios insinuosos
Entre o decote e o decotar
E no teu caminho
Ficou bonito o asfalto
Quando de passo em passo
Você resolveu desfilar
Segredo do teu tempo
O segundo é o infinito
Teu lábio é mais bonito
Quando resolve me beijar
Não esconde o suor
Irresistível calor
Corpo que esconde amor
De o mundo desejar
Alguém vem estala os dedos
Pedindo minha atenção
Tirando a concentração
Me chamando pra acordar
Voando no pensamento
Sonhando acordado
O desejo é mais ousado
Para quando te encontrar
Olhar nos teus olhos
Dizer mil loucuras
Sonhar nas alturas
E juras declarar.