Eu me permito fluir em versos livres, e não os conduzo a uma estrutura que seja coerente em suas conexões.
Eu os deixo saltar, e ao invés de procurar estilizá-los para um determinado fim, contemplo toda sua essência tal qual se concebe.








terça-feira, 13 de novembro de 2012

ENSAIO DE VOCÊ

Deixou escorrer ao canto de sua vermelha boca, uma gota perdida de sua saliva veneno, e antes que tocasse ao chão, aparou com suas mãos de veludo, evitando o impacto. Manteve um olhar fixo, e como quem invade a alma de outro alguém, permaneceu a despir com sua visão. Astuta e audaciosa, confundia-me cada vez que me dizia culpas e confissões. O seu corpo era escultu...
ral, e suas formas e contornos, embriagavam-me, sutilmente. Suas pernas eram longíquas. E que belas pernas! Pernas que correram de mim como um diabo que foge da cruz para não queimar-se em purificação dos seus profanos pecados. Surrou a cria de nossas ilusões, e a colocou de joelhos em milhos pontiagudos. Para além do sofrimento, o rendimento de suas preces forçadas, como uma criança desentendida de infundamentada penalidade. Pobre descendência de nós dois. Ainda escuto seu choro. Ainda lamento pela a dor de ter se tornado orfã. E do alto de seu pedestal, contempla a nós, e ainda se julgas pura, imaculada, cândida.
 
 

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