Saudade é uma palavra que não tem gosto. É um apelo ao tempo para que apresse o seu caminhar. Saudade é chuva e neblina, com rede vazia na lembrança. Chinelos solitários na varanda. Saudade sensibiliza, te comprime o peito, te abre a mente. Saudade é oito da noite de um sábado solitário, é um caminhar na praia no fim de tarde, sem alguém para levar. É natal ...
sem ter a quem presentear. Saudade é acordar sem despertar, vestir-se sem arrumar, comer sem alimentar, viver sem acreditar. Saudade é desepero de chegada, é repudio da partida, é dor acometida. Saudade é como um caixa escupida de vontade, no qual guarda-se bilhetes que nunca mandou, mas que se deseja muito entregar. Guarda-se papel de bombom que nunca foi comido. Foto três por quatro, cartão postal, bilhete de guardanapo, pedaço de um vestido. Saudade é sonhar com a pessoa, de modo indesejado, e odiar-se por ter apenas se alucinado. Saudade te amadureçe, faz você melhorar, só não deve ser longa. É um pouco de um quase tudo, e um passo de um tudo em nada. Saudade é o que nesse momento eu não desejaria ter.

















